Com a chegada de novembro, volta a ganhar força nas redes sociais o desafio conhecido como "No Nut November". A proposta, que surgiu em 2011 e se tornou um fenômeno viral a partir de 2017, convida os homens a passarem 30 dias sem ejacular. No entanto, enquanto muitos entusiastas defendem o desafio como uma forma de benefício à saúde, a ciência aponta um caminho bastante diferente: a ejaculação frequente pode, na verdade, ser uma aliada fundamental do organismo masculino.
Um estudo de peso realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard trouxe dados que desafiam o senso comum. Ao acompanhar 31.925 homens durante um período de 18 anos, entre 1992 e 2010, os especialistas buscaram entender a conexão entre a frequência ejaculatória e o câncer de próstata, uma das doenças que mais vitimam homens em todo o mundo.
Os resultados, publicados na revista European Urology, foram claros: manter uma rotina sexual ativa está associado a uma menor incidência da doença. O levantamento revelou que homens que atingiam, em média, 21 orgasmos por mês — ou cerca de cinco vezes por semana — apresentavam um risco até 20% menor de desenvolver câncer de próstata em comparação com aqueles que ejaculavam menos.
Os autores do estudo destacaram que o hábito de uma atividade sexual regular ao longo da vida adulta exerce um papel protetor, especialmente contra tumores de baixo risco. A hipótese central é que a ejaculação frequente auxilia na renovação celular e na eliminação de substâncias potencialmente tóxicas ou cancerígenas que podem se acumular no fluido prostático ao longo do tempo.
Mesmo diante de evidências científicas robustas, o "No Nut November" segue atraindo seguidores. Contudo, investigações sobre os efeitos desse período de abstinência, como a publicada no Journal of Sexual Medicine, não encontraram benefícios práticos. Os participantes da pesquisa não relataram ganhos significativos nem no desempenho sexual e nem no bem-estar geral após um mês sem ejacular.
Portanto, se a ideia é cuidar da saúde da próstata, os dados sugerem que a abstinência não é o caminho. Em vez disso, a regularidade parece ser a chave para o equilíbrio físico e a prevenção. A ciência mostra que, no contexto da saúde masculina, o corpo se beneficia mais da constância do que do isolamento.