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A cidade brasileira que esconde um vulcão de 25 milhões de anos

A cidade brasileira que esconde um vulcão de 25 milhões de anos

Bem no coração do sertão potiguar, uma formação rochosa monumental rompe a monotonia da paisagem da caatinga, atraindo o olhar de quem percorre a BR-304, no Rio Grande do Norte. O Pico do Cabugi, na cidade de Angicos, é muito mais do que um marco geográfico; ele é o vestígio silencioso de um passado em que o solo nordestino foi palco de uma intensa atividade vulcânica.

Com seus 590 metros de altura, o Cabugi é o exemplar mais bem preservado de vulcanismo no Brasil. Ao contrário do que muitos pensam, o país teve, sim, seus momentos de fogo e lava. O pico remonta ao período Terciário, há cerca de 25 milhões de anos, quando o magma subiu com força total em direção à superfície.

O que observamos hoje, porém, não é o vulcão como ele aparecia antigamente. Com a ação implacável do tempo e da erosão, as camadas externas de cinzas e rochas mais frágeis foram sendo removidas, restando apenas o chamado neck vulcânico — uma chaminé central feita de rocha basáltica densa e resistente. Esse "tampão" de pedra foi o único elemento que conseguiu suportar milhões de anos de desgaste, tornando-se uma verdadeira cápsula do tempo geológica.

Apesar da imponência, não há motivos para preocupação: o vulcão está extinto há muito tempo. Hoje, o Cabugi funciona como um monumento natural que contrasta suas rochas negras e escuras com o tom claro do solo e a vegetação rasteira do semiárido, criando um cenário de beleza única.

Para os aventureiros, o Parque Estadual do Pico do Cabugi é um convite ao desafio. A subida é exigente, marcada por inclinações íngremes e terreno instável, mas a recompensa compensa o esforço. Durante a caminhada, é possível notar colunas geométricas formadas pelo resfriamento lento do magma, uma aula prática de geologia sobre como a natureza molda a matéria sob pressões extremas.

Além de ser um ponto turístico cobiçado, o Cabugi é um laboratório a céu aberto para pesquisadores que estudam o vulcanismo continental brasileiro e a evolução da nossa crosta terrestre. O local também protege um microclima único, servindo de refúgio para espécies locais que encontram ali um ambiente diferenciado em relação à planície ao redor.

Mais do que pedras, o Pico do Cabugi guarda memórias. Entre os moradores locais, circula a lenda de um geólogo que, ao tocar as rochas do cume décadas atrás, definiu o local com perfeição: um monumento natural que narra a história do fogo no Brasil. É, sem dúvida, um dos tesouros mais fascinantes do nosso patrimônio geológico.

Paulo Bravo

Paulo Bravo

CEO e Fundador do Blog Detalhe Curioso (2025). Sua principal fonte de Curiosidades e Mistérios baseados em Fatos Reais. Veja mais artigos →