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Trump explica o “alerta” assustador que deu sobre Bin Laden antes do 11 de Setembro, mas “ninguém o ouviu”

Trump explica o “alerta” assustador que deu sobre Bin Laden antes do 11 de Setembro, mas “ninguém o ouviu”

Donald Trump reavivou uma polêmica antiga durante as celebrações do 250º aniversário da Marinha dos Estados Unidos. Diante de uma plateia formada por militares, o presidente voltou a sustentar que tentou alertar o país sobre a ameaça de Osama bin Laden muito antes da tragédia do 11 de setembro de 2001, lamentando que seus avisos tenham sido ignorados.

Segundo Trump, se suas advertências tivessem sido levadas a sério na época, o curso da história poderia ter sido drasticamente diferente. O presidente enfatizou que, um ano antes dos ataques, ele já apontava Bin Laden como um perigo real que precisava ser neutralizado.

Em sua fala, o líder americano relembrou que registrou suas preocupações em um livro publicado pouco antes dos atentados, embora não tenha conseguido recordar o título exato no momento do discurso. Ele afirmou que dedicou uma parte da obra a descrever o terrorista como uma ameaça iminente e que, como suas sugestões de ação foram desconsideradas, o resultado final foi a destruição do World Trade Center.

Trump não hesitou em dizer que, por ter identificado o perigo antes de grande parte da classe política, merece algum reconhecimento. Ele chegou a brincar com o público, dizendo que, se ninguém quiser lhe dar o devido crédito, ele mesmo o tomará.

Trump explica o “alerta” assustador que deu sobre Bin Laden antes do 11 de Setembro, mas “ninguém o ouviu”

Contudo, ao analisar os registros históricos, a realidade é um pouco mais matizada. A menção feita por Trump encontra respaldo no seu livro The America We Deserve, lançado no início de 2000, cerca de 18 meses antes do 11 de setembro.

No texto, ele de fato descreve Bin Laden como um inimigo público e critica a forma ineficaz como o governo lidava com ameaças dispersas e figuras sombrias que desapareciam logo após ataques pontuais. No entanto, o trecho não continha qualquer previsão específica sobre um ataque em solo americano nem previa a dimensão do que estava por vir.

O que se observa é que, embora Trump tenha reconhecido o nome de Bin Laden em um cenário de instabilidade global, sua escrita refletia mais uma observação genérica sobre a política externa da época do que um alerta profético sobre os aviões que atingiriam as Torres Gêmeas. Ainda assim, o presidente mantém a narrativa como um pilar de sua visão sobre segurança nacional, reforçando sua convicção de que sua percepção sobre ameaças externas foi subestimada pelos órgãos de inteligência daquela época.