A nova temporada da antologia Monstro, da Netflix, chegou ao catálogo causando um impacto visceral. Desta vez, a trama mergulha na mente distorcida de Ed Gein, um dos assassinos mais perturbadores da história dos Estados Unidos, e o resultado tem dividido o público e gerado reações extremas logo nos primeiros minutos de exibição.
A franquia, assinada por Ryan Murphy, já carrega um histórico de polêmicas, tendo abordado anteriormente figuras como Jeffrey Dahmer e os irmãos Menendez. Assim como nos casos passados, a série sobre Gein enfrenta críticas sobre a espetacularização do trauma e a liberdade criativa ao retratar eventos reais.
Ed Gein é uma figura que transcende o crime comum. Ele não apenas cometeu assassinatos brutais, mas ficou famoso pela profanação de túmulos, utilizando restos mortais para confeccionar objetos, roupas e mobília doméstica. Esse comportamento mórbido inspirou vilões icônicos do cinema, como Norman Bates, Leatherface e Buffalo Bill.
No entanto, é o tom da abordagem da Netflix que tem deixado muitos espectadores inquietos. Logo na sequência de abertura, a série apresenta cenas gráficas que chocaram parte da audiência. O ator Charlie Hunnam, responsável por dar vida ao assassino, aparece em momentos de profunda perturbação psicológica e sexual, incluindo cenas em que veste roupas íntimas femininas ou interage de forma bizarra com a própria mãe, interpretada sob um viés de forte rigidez religiosa.
Nas redes sociais, o desconforto foi o sentimento predominante. Alguns espectadores relataram que as cenas iniciais foram tão perturbadoras que os deixaram "precisando de terapia". O detalhamento das sequências — que envolvem desde o uso de roupas íntimas até hábitos pouco convencionais de Gein — tem sido alvo de comentários constantes em fóruns de discussão.
Além do choque visual, a precisão histórica da narrativa também entrou em xeque. Muitos internautas questionaram a veracidade dos acontecimentos retratados, com críticas direcionadas ao estilo de produção de Ryan Murphy, acusado por parte do público de priorizar o impacto dramático em detrimento dos fatos reais.
O desempenho do elenco e o ritmo da narrativa também foram pontos de discórdia. Enquanto alguns espectadores confessam dificuldade em entrar na trama, outros elogiam a conexão feita pela série com obras consagradas do cinema de horror, como Psicose.
Ed Gein cresceu sob a influência dominadora de sua mãe, Augusta, em Wisconsin. Após a morte dela, o isolamento social e a instabilidade mental de Gein atingiram um nível que culminou nos crimes descobertos pela polícia em 1957. A série busca dramatizar essa descida ao abismo, misturando o registro histórico com uma licença poética que continua a provocar intensos debates sobre o limite entre a ficção e a exploração de crimes reais.
Monstro: A História de Ed Gein segue disponível na Netflix, reafirmando seu papel como uma produção que não teme provocar reações extremas e questionamentos sobre o lado mais obscuro da psique humana.