O Hezbollah, organização política e paramilitar sediada no Líbano, é amplamente reconhecido como o grupo não estatal mais bem armado do planeta. Considerada uma organização terrorista por diversas nações, incluindo os Estados Unidos, a milícia xiita consolidou um arsenal formidável ao longo das últimas décadas, contando com um suporte estratégico e logístico robusto do Irã.
Dados da inteligência americana (CIA) apontam que o arsenal do grupo ultrapassa a marca de 150 mil mísseis e foguetes. Mais do que o volume, o que preocupa autoridades militares é a diversidade e a sofisticação crescente desse inventário, que agora inclui drones de ataque, mísseis antitanque, antiaéreos e antinavio de última geração.
A influência do Irã é o pilar dessa capacidade bélica, fornecendo tanto tecnologia iraniana quanto sistemas de origem russa e chinesa. Sobre o efetivo humano, as estimativas são variadas: enquanto o líder do grupo, Sayyed Hassan Nasrallah, mencionou ter 100 mil combatentes em 2021, o World Factbook da CIA é mais contido, calculando algo próximo de 45 mil membros, sendo cerca de 20 mil deles dedicados ao serviço integral.
A evolução técnica do grupo desde a guerra de 2006 é notória. Naquela época, o arsenal era composto majoritariamente por foguetes Katyusha de curto alcance e baixa precisão. Hoje, o grupo afirma possuir capacidade para adaptar seus projéteis com sistemas de guiagem de precisão diretamente em solo libanês. Entre as armas de destaque, figuram as famílias iranianas Raad, Fajr e Zilzal, além dos poderosos mísseis Burkan, que carregam ogivas explosivas pesadas, e os recentes mísseis Falaq 2.
A tática de guerra assimétrica também avançou. O uso de mísseis antitanque como o Kornet (russo) e o avançado al-Mas (iraniano) — que utiliza engenharia reversa inspirada nos mísseis Spike israelenses — permite ataques precisos e contornantes, dificultando a defesa de veículos blindados. No ar, o Hezbollah demonstrou capacidade surpreendente ao derrubar drones israelenses de alto valor, como o Hermes 450, além de empregar drones suicidas em enxames para saturar as defesas inimigas.
No mar, a ameaça é igualmente severa. Desde que atingiu uma embarcação de guerra israelense em 2006, o grupo expandiu seu alcance. Rumores sobre a aquisição do míssil Yakhont, de origem russa e alcance de 300 km, colocam não apenas a marinha, mas também infraestruturas críticas como plataformas de gás e portos, sob constante risco.
Contudo, a pergunta central sobre a capacidade de destruição de Israel precisa ser vista sob uma lente realista. Israel mantém uma superioridade militar convencional inquestionável, amparada por tecnologias de ponta, como o Domo de Ferro, além de uma força aérea e de inteligência de elite. O Hezbollah, embora capaz de infligir danos graves, interrupções econômicas e traumas sociais, opera em uma escala de poder muito inferior ao Estado israelense.
Além da disparidade de forças, há o fator da dissuasão: um conflito em larga escala seria catastrófico para o próprio Líbano, o que impõe limites pragmáticos às ambições de escalada do grupo. Somado a isso, o suporte internacional a Israel e o temor de uma retaliação regional mantêm o cenário em um equilíbrio precário.
Em resumo, o Hezbollah não possui, hoje, condições militares de destruir Israel no sentido literal. Sua força real reside na capacidade de desestabilização e na manutenção de uma ameaça constante que obriga Israel a investir pesadamente em segurança. A tensão na região permanece alta, onde cada movimento é um cálculo delicado de dissuasão mútua e sobrevivência política.