Cientistas descobrem uma criatura assustadora, parecida com um alienígena, que eles chamaram de ‘escuridão’ a 7.900 metros abaixo da superfície do oceano

Cientistas descobrem uma criatura assustadora, parecida com um alienígena, que eles chamaram de ‘escuridão’ a 7.900 metros abaixo da superfície do oceano

As profundezas do oceano continuam a surpreender a ciência com criaturas que parecem saídas de um filme de ficção científica. Em uma das regiões mais isoladas e inexploradas do planeta, pesquisadores identificaram uma espécie fascinante que habita a zona hadal, a camada mais profunda do mar.

Batizada de Dulcibella camanchaca, a criatura é um anfípode predador descoberto recentemente na costa do Chile. Esta é uma descoberta histórica, já que marca o primeiro registro de um anfípode predador de grande porte e comportamento ativo vivendo a tais profundidades.

Com cerca de quatro centímetros, o animal desafia o ambiente extremo com adaptações evolutivas impressionantes. Ele possui apêndices especializados, chamados gnathópodes, que funcionam como pinças raptoriais, permitindo que o predador capture suas presas com precisão. Aliado a uma capacidade de nado ágil, ele se tornou uma das figuras mais formidáveis daquela região abissal.

Cientistas descobrem uma criatura assustadora, parecida com um alienígena, que eles chamaram de ‘escuridão’ a 7.900 metros abaixo da superfície do oceano

A espécie pertence à família Eusiridae e compõe um gênero totalmente novo para a ciência. A identificação ocorreu durante a Expedição do Sistema Integrado de Observação do Oceano Profundo (IDOOS), uma parceria entre a Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) e o Instituto Milênio de Oceanografia (IMO).

A Dra. Johanna Weston, ecologista que participou do estudo, explicou que o nome escolhido possui um significado profundo. Camanchaca, em línguas indígenas da região andina, remete à escuridão, uma alusão direta às águas profundas e sombrias onde a criatura reina a 7.900 metros de profundidade, na Fossa do Atacama.

Cientistas descobrem uma criatura assustadora, parecida com um alienígena, que eles chamaram de ‘escuridão’ a 7.900 metros abaixo da superfície do oceano

A Fossa do Atacama, formada pelo encontro de placas tectônicas, chega a atingir profundidades próximas aos 8.000 metros. O estudo dessa região é o foco principal da expedição, que deve durar cinco anos. O objetivo central dos cientistas é mapear a circulação das águas profundas no Pacífico Sul Oriental e entender como a vida sobrevive em condições de pressão esmagadora.

Além de catalogar a biodiversidade, a pesquisa busca respostas sobre como o fluxo de nutrientes atinge essas profundezas e, crucialmente, como ecossistemas tão isolados estão sendo impactados por mudanças climáticas e poluição global.

Para a oceanógrafa Carolina González, da Universidade de Concepción, essa descoberta é apenas o começo. À medida que a expedição avança e as tecnologias de observação submarina se tornam mais precisas, a expectativa é que mais espécies desconhecidas surjam das sombras, revelando a complexidade e a riqueza escondidas nas regiões mais remotas do nosso oceano.