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21 pares de gêmeos seguem dietas veganas e de carne separadas e isso tem um efeito dramático em sua idade biológica

21 pares de gêmeos seguem dietas veganas e de carne separadas e isso tem um efeito dramático em sua idade biológica

O que a genética tem a dizer sobre a dieta vegana? Um experimento científico recente buscou respostas para essa pergunta utilizando a metodologia mais precisa possível: 21 pares de gêmeos idênticos. O objetivo era descobrir como o padrão alimentar influencia o envelhecimento biológico, eliminando as variações genéticas como interferência.

Publicado na revista científica BMC Medicine, o estudo dividiu cada par de gêmeos durante oito semanas. Enquanto um dos irmãos adotou uma dieta estritamente vegana, o outro seguiu uma alimentação onívora, composta por carnes, ovos e laticínios.

Para garantir a precisão, nas primeiras quatro semanas, todas as refeições foram preparadas pelos pesquisadores. Os onívoros consumiram diariamente entre 170 e 225 gramas de carne, além de laticínios e ovos. Já na segunda metade do experimento, os próprios participantes assumiram o preparo das refeições, após passarem por um treinamento nutricional.

A amostra, composta majoritariamente por mulheres com média de 40 anos e um IMC de 26, passou por coletas periódicas de sangue. Os cientistas focaram na metilação do DNA, um mecanismo que altera a expressão dos genes e serve como um dos indicadores mais confiáveis para calcular a chamada idade biológica — que, diferentemente da cronológica, reflete o estado real de desgaste ou vitalidade do organismo.

Os resultados foram notáveis. Os gêmeos que adotaram o estilo de vida vegano apresentaram uma redução significativa em sua idade biológica medida por relógios epigenéticos. O mesmo efeito não foi observado nos irmãos que mantiveram o consumo de produtos de origem animal.

Segundo o professor Christopher Gardner, de Stanford, o impacto positivo do grupo vegano foi amplo, refletindo melhorias em sistemas cruciais como o cardiovascular, hormonal, hepático, além de uma melhora nos marcadores de inflamação e metabolismo.

É importante pontuar que o grupo vegano perdeu, em média, dois quilos a mais que o grupo onívoro durante o período. Os pesquisadores reconhecem que essa perda de peso pode ter contribuído para o rejuvenescimento celular observado, sugerindo que a restrição calórica ou a mudança na composição dos alimentos foram fatores de influência.

Embora os achados sejam promissores, a comunidade científica pede cautela. O Dr. Varun Dwaraka, da TruDiagnostic Inc., ressalta que novos estudos são indispensáveis para compreender os efeitos a longo prazo e a sustentabilidade dessas mudanças no organismo humano.

Em suma, o estudo reafirma que o que colocamos no prato tem um impacto profundo e mensurável no nosso envelhecimento. Ainda que a dieta seja apenas uma peça do quebra-cabeça da saúde, a evidência de que escolhas alimentares podem atenuar o envelhecimento biológico abre uma porta fascinante para o futuro da longevidade.