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Trigêmeos idênticos separados no nascimento e criados em um raio de 160 quilômetros em um experimento cruel que foi mantido em segredo

Trigêmeos idênticos separados no nascimento e criados em um raio de 160 quilômetros em um experimento cruel que foi mantido em segredo

Em julho de 1961, o nascimento de trigêmeos idênticos de uma mãe adolescente em Nova York deveria ter sido o início de uma trajetória familiar comum. No entanto, o destino desses três meninos — Robert Shafran, Edward Galland e David Kellman — foi desviado por um experimento científico cruel e sigiloso que marcaria suas vidas para sempre.

Os irmãos foram separados logo após o nascimento e entregues a famílias distintas, sem que estas soubessem da existência dos outros dois bebês. O plano foi orquestrado pelo Dr. Peter Neubauer, um psiquiatra que conduziu um estudo longitudinal sobre o debate entre "natureza versus criação". O objetivo era observar como o desenvolvimento humano seria moldado por ambientes socioeconômicos diferentes: David foi adotado por uma família de classe trabalhadora, Edward por uma de classe média e Robert por uma de classe média alta.

O projeto de Neubauer não parou nos trigêmeos. Ao todo, pelo menos 13 crianças, entre gêmeos e trigêmeos, foram separadas propositalmente para servir como cobaias. Durante anos, os pesquisadores realizaram visitas anuais aos lares das crianças, coletando dados, testes psicológicos e filmagens, tudo sob o pretexto de um acompanhamento de adoção comum, enquanto ocultavam sistematicamente a verdade sobre os laços biológicos dos participantes.

Trigêmeos idênticos separados no nascimento e criados em um raio de 160 quilômetros em um experimento cruel que foi mantido em segredo

O segredo foi mantido por décadas, e os arquivos do estudo foram selados no Centro de Estudos Infantis da Universidade de Yale, com ordens para permanecerem inacessíveis até 2065.

A farsa começou a desmoronar de forma casual. Em 1980, Robert Shafran matriculou-se no Sullivan Community College e ficou surpreso ao ser confundido por alunos e funcionários com um tal Edward Galland, que já frequentava a instituição. O encontro entre os dois, impressionantemente parecidos, ganhou as manchetes dos jornais, o que permitiu que o terceiro irmão, David Kellman, se identificasse ao ver a notícia.

Trigêmeos idênticos separados no nascimento e criados em um raio de 160 quilômetros em um experimento cruel que foi mantido em segredo

A reunião foi um fenômeno midiático e emocional, mas a alegria de se reencontrarem logo deu lugar a uma descoberta sombria. Ao investigarem as causas de terem sido separados, eles se depararam com a existência do experimento de Neubauer.

A repercussão psicológica dessa revelação foi devastadora. Embora os três tenham tentado recuperar o tempo perdido, o impacto da separação forçada deixou cicatrizes profundas. Todos enfrentaram problemas de saúde mental ao longo da vida adulta. Em 1995, incapaz de superar os traumas acumulados, Edward Galland tirou a própria vida aos 33 anos.

A história tornou-se mundialmente conhecida através do documentário de 2018, Três Estranhos Idênticos, que denunciou a falta de ética na pesquisa e o descaso com a vida humana em nome da curiosidade científica. O caso permanece como um lembrete trágico sobre os limites da ciência e as consequências irreversíveis de manipular o curso de vidas humanas.