O despertar da população portuguesa na madrugada de segunda-feira, 26 de agosto de 2024, foi marcado por um susto. Por volta das 5h11, um terremoto de magnitude 5,3 na escala Richter sacudiu diversas regiões de Portugal, com reflexos perceptíveis inclusive na vizinha Espanha.
O fenômeno foi registrado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De acordo com os dados técnicos, o epicentro localizou-se a cerca de 60 quilômetros de Sines. Apesar do susto e da percepção intensa do tremor em cidades como Lisboa, as autoridades confirmaram que não houve registros de feridos ou danos materiais severos.
O impacto do evento logo tomou as redes sociais. Câmeras de segurança e dispositivos de monitoramento capturaram o momento exato em que o solo começou a tremer. Em registros feitos na capital e em Sesimbra — a cerca de 40 quilômetros de Lisboa —, é possível observar móveis balançando, objetos se movendo e ouvir o som inquietante gerado pelo abalo. As imagens, que rapidamente viralizaram, deram ao mundo uma dimensão clara da força do fenômeno.
Embora o evento desta semana seja considerado moderado, ele traz à tona a memória geológica de Portugal. O país possui um histórico de atividade sísmica que remonta a séculos, sendo o Grande Terremoto de 1755 o exemplo mais traumático e memorável dessa realidade.
Em 1º de novembro de 1755, um abalo de magnitude estimada entre 8,5 e 9,0 devastou Lisboa. O desastre não se limitou ao tremor: ele desencadeou um tsunami de grandes proporções e incêndios que perduraram por dias, resultando em uma tragédia que marcou a história europeia. A reconstrução da cidade, conduzida pelo Marquês de Pombal, tornou-se um marco na engenharia e no urbanismo, introduzindo técnicas pioneiras de construção antissísmica que buscavam proteger a capital de futuros desastres.
O episódio da última segunda-feira serve, portanto, como um lembrete natural sobre a geodinâmica da região e a constante necessidade de atenção às infraestruturas que compõem o território português.