A nova série dramática da Netflix, Supersex, está no centro de uma tempestade de críticas e polêmicas. A produção, que narra a trajetória de Rocco Siffredi — um dos nomes mais icônicos da indústria de entretenimento adulto —, tem provocado reações inflamadas de assinantes que ameaçam deixar a plataforma devido à natureza explícita do conteúdo.
Composta por sete episódios, a trama acompanha a metamorfose de Rocco Tano, um homem comum vindo de Ortona, na Itália, até se tornar uma lenda do setor, com um currículo que ultrapassa os 1.300 filmes. Apesar de ter conquistado uma sólida aprovação de 80% no Rotten Tomatoes, a obra não tem sido bem digerida por parte do público.
O desconforto gira em torno da crueza das cenas. O ator Alessandro Borghi, protagonista da série, participou de nada menos que 50 cenas de sexo ao longo dos 95 dias de gravação. A polêmica tomou proporções maiores após um clipe da série ser publicado e, na sequência, deletado do Instagram oficial da Netflix, o que serviu como combustível para a revolta dos internautas.
Nas redes sociais, muitos usuários questionaram a linha editorial da gigante do streaming. "Agora temos pornografia na Netflix? Estou cancelando minha assinatura agora mesmo; meus filhos não podem ser expostos a isso", disparou um assinante, ignorando o fato de que a produção possui classificação indicativa para maiores de 18 anos.
O ponto de ebulição, no entanto, ocorreu no sexto episódio. Uma cena específica, ambientada em um cemitério logo após o funeral da mãe de Rocco, mostra o protagonista em um momento íntimo com uma amiga da falecida. O teor da sequência foi classificado por espectadores como "desrespeitoso, chocante e desnecessário".
Outro ponto de debate é o excesso de momentos explícitos. Alguns usuários, embora reconheçam o contexto da série, ponderam que o excesso retira o peso da narrativa. Um comentário recorrente nas redes compara a situação a "reclamar de muitas corridas em Velozes e Furiosos", mas com um porém: o limite da exposição incomoda muitos espectadores.
Em defesa da obra, o próprio Rocco Siffredi elogiou a visão da diretora Francesca Mazzoleni. Segundo ele, a abordagem feminina trouxe uma camada de ousadia e profundidade que ele considera essencial para contar sua história. Siffredi também foi enfático ao elogiar a interpretação de Borghi, afirmando que nenhum outro ator na Itália conseguiria entregar um trabalho à altura.
Por trás das cenas picantes, a série busca traçar um retrato psicológico de Siffredi através da perspectiva de duas mulheres, uma decisão criativa que tenta ir além de uma cinebiografia convencional. Ainda assim, a polêmica parece longe de terminar, deixando claro o desafio da plataforma em equilibrar produções de autor com o gosto do seu vasto público global.