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Por que 3 grandes países foram deixados de fora da longa lista de tarifas do ‘Dia da Libertação’ de Donald Trump

Por que 3 grandes países foram deixados de fora da longa lista de tarifas do ‘Dia da Libertação’ de Donald Trump

No dia 2 de abril, o presidente Donald Trump colocou o mercado internacional em alerta ao anunciar um pacote abrangente de novas tarifas comerciais. Durante um pronunciamento que chamou a atenção global, o líder americano exibiu uma lista detalhada com os nomes de dezenas de países e suas respectivas taxas, justificando a medida como uma estratégia para corrigir o que ele considera desequilíbrios comerciais prejudiciais aos Estados Unidos.

No entanto, o que mais intrigou analistas políticos e econômicos não foram os nomes presentes no documento, mas sim os que ficaram de fora: Rússia, Canadá e México.

A exclusão da Rússia, em meio às tensões contínuas devido ao conflito na Ucrânia, causou estranheza. Mesmo com Trump expressando publicamente sua frustração com a recusa de Vladimir Putin em aceitar propostas americanas para um cessar-fogo, o motivo da isenção é puramente pragmático. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a economia russa já está sob um regime rigoroso de sanções e o intercâmbio comercial com os EUA é irrelevante, tornando a aplicação de novas taxas um movimento sem impacto prático.

Por que 3 grandes países foram deixados de fora da longa lista de tarifas do ‘Dia da Libertação’ de Donald Trump

Já para o Canadá e o México, a situação é diferente e envolve laços contratuais. Ambos são signatários do CUSMA, o acordo que sucedeu o NAFTA. Por conta desse tratado, esses países já estão sujeitos a tarifas específicas, como a de 25% sobre o setor automotivo, aço e alumínio. Adicionalmente, produtos energéticos e potássio canadenses que não se alinham às normas do pacto também já enfrentam tributações extras de 10%. Como esses parceiros norte-americanos já operam sob um regime tarifário punitivo e regulado, Trump optou por mantê-los fora da nova lista, embora continue pressionando ambos por ações mais contundentes no controle da imigração e no combate ao tráfico de fentanil.

Enquanto esses três vizinhos e adversários ganharam uma folga, o restante do mapa global sentiu o impacto. A China está entre os alvos principais, com taxas que, somadas, podem atingir 54%. Vietnã (46%) e Camboja (49%) também aparecem com pesos significativos. Na Europa, a União Europeia será taxada em 20%, enquanto o Reino Unido mantém um patamar de 10%. O Brasil, junto a vizinhos sul-americanos como Argentina, Peru e Colômbia, foi incluído com uma tarifa de 10%.

O alcance da medida foi tão vasto que incluiu até territórios praticamente desabitados, como as ilhas Heard e McDonald, que receberam uma taxa simbólica de 10%. A política, que atinge desde potências asiáticas como Japão e Índia até economias menores, reacendeu um debate intenso entre economistas e líderes mundiais sobre as consequências dessa postura protecionista para a estabilidade do comércio global.