À medida que a contagem regressiva para os Jogos Paralímpicos de Paris chega ao fim — com a cerimônia de abertura marcada para o dia 28 de agosto —, o foco não está apenas nos recordes e medalhas, mas também em um regulamento que tem deixado muitos competidores em alerta: a proibição de tatuagens que exibam os icônicos anéis olímpicos.
Para muitos atletas, eternizar na pele os símbolos de sua trajetória no esporte é uma forma de celebração. No entanto, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) mantém uma política rigorosa que classifica qualquer exposição dessa marca como publicidade corporal não autorizada. A regra é aplicada de forma rígida, independentemente de o atleta ser ou não um entusiasta do Movimento Olímpico.
O exemplo mais notável dessa aplicação rigorosa ocorreu com o nadador britânico Josef Craig. Durante o Campeonato Europeu de Natação do IPC, em 2016, Craig foi desclassificado após vencer uma prova porque sua tatuagem dos anéis olímpicos estava visível. Na ocasião, o IPC esclareceu que todos os atletas são devidamente orientados nas reuniões técnicas sobre a proibição de exibir logos ou símbolos comerciais e corporativos, e que o descumprimento, sem o uso de cobertura, resulta em penalidade imediata.
Diante do risco de desclassificação, os atletas têm recorrido à criatividade. O próprio Josef Craig, nos Jogos do Rio de 2016, encontrou uma saída inteligente: ele cobriu os anéis com uma tatuagem da bandeira britânica, unindo o patriotismo à conformidade com as regras.
Embora a diretriz seja alvo de críticas e pareça excessiva para o público geral, o IPC mantém sua postura firme. Com 549 eventos de medalhas previstos para a edição de Paris, a atenção dos oficiais quanto a esse detalhe corporal promete ser máxima durante o período de competições, que vai até 8 de setembro.
O evento, que reunirá milhares de atletas de todo o mundo, segue como uma vitrine de superação e perseverança. No entanto, para aqueles com arte corporal que remeta aos Jogos Olímpicos, o maior desafio pode não ser apenas o adversário na pista ou na piscina, mas a necessidade de camuflar suas próprias homenagens antes de entrar em ação.