Quem nunca sonhou em cruzar o mundo, conhecer culturas distantes e experimentar sabores exóticos sem se preocupar com o preço da passagem? Para Tom Stuker, um consultor de automóveis de Nova Jersey, essa realidade tornou-se um estilo de vida permanente. Ele não apenas viaja muito, ele praticamente vive nas alturas.
A história de Stuker começou nos anos 90, em uma jogada de mestre que hoje seria impossível de repetir. Naquela época, a United Airlines comercializava um passe vitalício, e Stuker não pensou duas vezes: investiu 290 mil dólares no bilhete. Décadas depois, esse investimento se provou um negócio extraordinário. Estima-se que ele tenha economizado cerca de 2,4 milhões de dólares em passagens ao longo dos anos, acumulando a marca impressionante de 37 milhões de quilômetros percorridos.
O ritmo de Stuker é de deixar qualquer um exausto. Apenas em 2019, ele realizou 373 voos — uma média superior a um por dia. Embora a ideia de voar constantemente possa parecer o paraíso, o veterano das nuvens conhece bem o lado B dessa rotina: o jet lag crônico e o cardápio limitado das companhias aéreas.
Mesmo com tanto tempo de voo, ele não se tornou um passageiro passivo. Stuker é um mestre na arte da diplomacia aérea. Ele compartilha que o segredo para uma experiência melhor a bordo é a gentileza com a tripulação. Um elogio genuíno ao serviço prestado ou um reconhecimento pelo trabalho dos comissários pode render mimos, como um travesseiro extra ou um mimo no menu.
Para quem busca conforto extra, ele tem uma estratégia prática: após o embarque, fique de olho no mapa de assentos do aplicativo. Se notar uma poltrona melhor vaga, não hesite em se mudar. Segundo ele, a tripulação raramente cria obstáculos para esse tipo de ajuste, desde que seja feito com educação.
Por outro lado, o viajante vitalício também tem suas petições. Ele perde a paciência com passageiros que tratam a cabine como um escritório particular, especialmente aqueles que insistem em reuniões via viva-voz. Seu conselho irônico? Se for para compartilhar sua reunião com o resto do avião, pelo menos ofereça rosquinhas para todos. E, claro, sua regra de ouro é a praticidade: ele evita despachar bagagem a todo custo, priorizando apenas o que pode levar consigo.
Viver no ar também trouxe a Stuker uma visão realista sobre o mundo. Ele já presenciou situações delicadas, incluindo emergências médicas fatais a bordo, o que o torna um viajante calejado.
Afinal, por que manter esse ritmo frenético? Para Stuker, o combustível não é apenas o acúmulo de milhas ou a economia financeira, mas as conexões humanas. Ele garante que, após milhões de quilômetros e inúmeras decolagens, o que realmente fica gravado na memória não são os assentos da primeira classe, mas as pessoas que cruzaram o seu caminho. Seja um estilo de vida inspirador ou exaustivo, o fato é que Tom Stuker protagoniza uma das trajetórias mais singulares da aviação comercial.