Bryan Johnson, o milionário da tecnologia que ficou mundialmente conhecido por investir 2 milhões de dólares anualmente no Projeto Blueprint, tornou-se o rosto de um movimento radical voltado à reversão biológica. Aos 47 anos, o ex-dono da Braintree — empresa vendida ao PayPal por 800 milhões de dólares em 2013 — redirecionou sua fortuna para uma meta que desafia o senso comum: impedir o envelhecimento.
Tudo começou em 2021. Após anos de sucesso empresarial, Johnson enfrentou uma década marcada por depressão, excessos e um estilo de vida que cobrou seu preço. Mesmo com um patrimônio na casa dos 400 milhões de dólares, ele não se sentia bem, o que o levou a uma transformação drástica. Hoje, sua rotina é regrada ao extremo, com todas as refeições sendo ingeridas antes das 11h da manhã e um horário de dormir inegociável às 20h30.
Essa obsessão pela longevidade agora ganha destaque no novo documentário da Netflix, O Homem que Quer Viver para Sempre, dirigido por Chris Smith. No trailer, Johnson revela que seu desejo não é apenas prolongar a vida por vaidade, mas por uma conexão profunda com sua família. Ele chega a declarar que cem vidas não seriam suficientes para viver tudo o que deseja ao lado de seu filho.
O caminho de Johnson, porém, não é isento de polêmicas. Ele já realizou testes que atraíram olhares críticos da comunidade científica, como a troca de plasma sanguíneo com seu filho de 17 anos e seu pai de 70. Embora tenha chegado a anunciar resultados expressivos na época, o próprio empresário interrompeu a prática seis meses depois, ao notar que os benefícios não eram sustentáveis ou mensuráveis.
Para o próprio Johnson, o apoio tecnológico e médico é a peça que faltava para ele atingir sua performance ideal. Em uma entrevista ao The Guardian, ele confessou que não se sentia capaz de alcançar o auge da saúde sozinho, justificando o uso constante de novos métodos e intervenções como uma forma de "aumento de desempenho" biológico.
O impacto da jornada de Johnson vai além da tela. O diretor Chris Smith, que acompanhou o milionário por um ano, admitiu que a experiência transformou seus próprios hábitos. Hoje, ele dorme mais cedo e monitora sua saúde com mais atenção, um reflexo do efeito que a discussão sobre a mortalidade provoca em quem observa esse experimento de perto.
O documentário, que estreia na Netflix em 1º de janeiro, promete escancarar os bastidores dessa rotina exaustiva. Mais do que um retrato sobre riqueza, o filme convida o público a refletir sobre os limites da ciência, o peso da mortalidade e até onde um ser humano está disposto a ir para ganhar mais tempo no relógio biológico.