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Membro da realeza teria participado de caçadores de “safári humano” que “competiam para matar as mulheres mais bonitas e grávidas”

Membro da realeza teria participado de caçadores de “safári humano” que “competiam para matar as mulheres mais bonitas e grávidas”

Durante quase quatro anos, entre 1992 e 1996, a cidade de Sarajevo tornou-se um cenário de pesadelo. Cercada por forças hostis e vigiada por franco-atiradores posicionados nas colinas, a capital bósnia viu sua população de 400 mil habitantes enfrentar uma rotina brutal de escassez de suprimentos básicos e um medo constante. A morte não era um evento distante, mas uma presença cotidiana que espreitava em cada esquina e janela.

Décadas depois, um dos capítulos mais macabros desse conflito voltou à tona, revelando denúncias de que estrangeiros abastados teriam viajado à região para participar de um sádico "safári humano". Segundo essas investigações, esses indivíduos pagavam grandes quantias para ter a oportunidade de disparar contra civis indefesos, transformando a tragédia alheia em um esporte cruel.

A polêmica ganhou novo fôlego com o trabalho do escritor italiano Ezio Gavazzeni, que levou seus relatos às autoridades judiciais. O Ministério Público de Milão iniciou, no final de 2025, uma investigação sobre alegações de que cidadãos italianos e de outras nacionalidades teriam se infiltrado entre os atiradores sérvios para caçar moradores de Sarajevo.

Membro da realeza teria participado de caçadores de “safári humano” que “competiam para matar as mulheres mais bonitas e grávidas”

O Cerco de Sarajevo, que se estendeu de abril de 1992 a fevereiro de 1996, deixou mais de 11 mil mortos. A área conhecida como "Avenida dos Atiradores" tornou-se um símbolo dessa barbárie, onde civis precisavam correr entre escombros para tentar escapar da mira certeira que vinha do alto. É exatamente a partir desses pontos de observação privilegiados que, segundo testemunhas, os tais visitantes seriam posicionados.

O jornalista croata Domagoj Margetic, em seu livro "Pay and Shoot", detalhou um sistema organizado de preços para essa prática hedionda. Baseando-se em documentos do serviço de inteligência bósnio, ele afirma que existia uma tabela: o custo para atirar em um adulto era de cerca de 80 mil marcos alemães, subindo para 95 mil se o alvo fosse uma mulher jovem e atingindo valores exorbitantes para disparar contra mulheres grávidas.

Membro da realeza teria participado de caçadores de “safári humano” que “competiam para matar as mulheres mais bonitas e grávidas”

A revelação mais chocante, contudo, envolve a suposta participação de um membro da realeza europeia. Segundo Margetic, relatos de milicianos que atuavam como anfitriões desses "turistas" sugerem que um aristocrata, que chegava de helicóptero para se hospedar em uma área estratégica perto da cidade, teria participado ativamente da competição de tiro. O objetivo, segundo os relatos, seria atingir especificamente crianças e mulheres consideradas "mais bonitas".

A organização desse esquema macabro é atribuída por Margetic a Zvonko Horvatincic, um homem com conexões nos serviços de inteligência que, antes da guerra, já teria organizado expedições de caça de animais para estrangeiros ricos na Croácia. Relatos do ex-primeiro-ministro croata Josip Manolic corroboram a existência de rotas de transporte desses visitantes, que se reuniam em hotéis antes de seguirem para as linhas de frente.

Embora o tema venha sendo discutido há anos — com menções anteriores em relatórios de inteligência, depoimentos perante o Tribunal Penal Internacional e o documentário "Sarajevo Safari", de Miran Zupanic — o caso agora ganha contornos de investigação criminal real. Em fevereiro de 2026, um idoso italiano de 80 anos tornou-se o primeiro suspeito formalmente investigado por homicídio agravado relacionado a essas atividades. Enquanto isso, autoridades internacionais e figuras políticas, como a congressista americana Anna Paulina Luna, pressionam para que, caso existam outros envolvidos, a justiça seja feita, independentemente de sua posição social ou título nobiliárquico.

Paulo Bravo

Paulo Bravo

CEO e Fundador do Blog Detalhe Curioso (2025). Sua principal fonte de Curiosidades e Mistérios baseados em Fatos Reais. Veja mais artigos →