Após o trágico acidente do voo 2283 da Voepass em Vinhedo, São Paulo, uma força-tarefa composta por dezenas de especialistas da Polícia Técnico-Científica de São Paulo concluiu as necropsias das 62 vítimas. O trabalho minucioso busca trazer respostas e um desfecho para as famílias enlutadas.
De acordo com o superintendente Claudinei Salomão, a causa predominante dos óbitos foi o politraumatismo, decorrente da força do impacto da aeronave contra o solo. Em entrevista à Folha, Salomão explicou que, devido à explosão posterior à queda, muitos corpos também apresentaram sinais de carbonização parcial, o que torna o processo de identificação ainda mais complexo.
O esforço de identificação é realizado por cerca de 30 profissionais. A prioridade tem sido o uso de impressões digitais, método que tem apresentado bons resultados e permitiu agilizar a entrega dos corpos e atestados de óbito aos familiares. Apenas nos casos em que a papiloscopia não é possível, os peritos recorrem à arcada dentária ou a exames de DNA.
Um dos desafios enfrentados pelos peritos é a identificação de vítimas de outros estados. Nesses casos, o Instituto de Identificação de São Paulo precisa trocar informações com órgãos de outras regiões para realizar o confronto de dados necessário. Para facilitar esse processo, o governo paulista montou uma estrutura de apoio no Instituto Oscar Freire, onde dezenas de famílias foram acolhidas para fornecer dados e material genético. Até o momento, amostras de DNA foram coletadas de 45 famílias entre São Paulo e Cascavel.
Sobre a causa das mortes, o termo médico politraumatismo descreve o cenário em que o corpo sofre múltiplas lesões graves simultaneamente. Em desastres aéreos, isso é provocado pela desaceleração súbita e pelo impacto de alta energia contra o terreno.
Especialistas da área médica explicam que, em situações dessa magnitude, o organismo sofre danos extensos em diversos órgãos vitais ao mesmo tempo. A gravidade das lesões e a velocidade do impacto costumam levar ao óbito quase instantâneo, uma vez que o corpo humano não possui capacidade fisiológica de resistir a tamanha destruição estrutural.
Enquanto a investigação sobre as causas do acidente prossegue, o governo de São Paulo e equipes da Defesa Civil continuam prestando assistência direta aos familiares, assegurando que o suporte necessário seja oferecido durante todo o processo de liberação das vítimas. Novos detalhes sobre o andamento dos trabalhos devem ser divulgados pelas autoridades nos próximos dias.