Um caso de negligência médica em Valência, na Espanha, culminou em uma indenização de 49 mil euros — aproximadamente 50 mil dólares ou 300 mil reais — para um paciente de 36 anos que sofreu sequelas permanentes após um atendimento hospitalar desastroso.
Tudo começou quando o homem foi acometido por priapismo, uma condição urológica grave caracterizada por uma ereção persistente e dolorosa que ultrapassa quatro horas de duração. A urgência é vital nesse quadro, já que o sangue retido no órgão pode causar danos irreversíveis aos tecidos se não houver drenagem imediata.
O calvário do paciente teve início em um posto de saúde em Albaida, mas a situação escalou quando, após 20 horas de espera, ele e sua esposa buscaram socorro no Hospital Ontinyent. Segundo os autos do processo, houve uma falha grave na agilidade do encaminhamento médico para um urologista, o que obrigou o homem a se deslocar para uma unidade em Xàtiva.
Ao chegar ao Hospital Lluis Alcanyis, o paciente já apresentava febre, sinal de que o quadro de priapismo estava gerando complicações sistêmicas. Embora a equipe tenha realizado a drenagem de urgência e programado a colocação de uma prótese peniana, o desfecho foi trágico.
A instalação inadequada da prótese exigiu uma cirurgia de reparação, resultando em danos permanentes. Hoje, o homem lida com disfunção erétil, dores persistentes na perna esquerda e perda de sensibilidade e força no braço direito.
O urologista Jorge Sanchez esclarece que, após 20 horas de priapismo, o dano ao tecido é severo. Em muitos casos, os médicos precisam romper os corpos cavernosos para aliviar a pressão, o que elimina a possibilidade de ereções naturais e torna o uso de implantes a única saída.
Após quatro anos de tramitação judicial, a justiça condenou o governo regional de Valência a indenizar o paciente. Sua esposa também recebeu 5 mil euros por danos morais. O caso serve como um alerta crítico sobre a importância da rapidez no diagnóstico urológico e a responsabilidade das instituições de saúde na gestão de emergências.