A sombra de 2008 volta a assombrar o mercado financeiro, mas desta vez pelas mãos de quem realmente previu o caos daquela época. Richard Bookstaber, o gestor de risco que em 2007 publicou A Demon of Our Own Design antecipando o colapso do setor imobiliário americano, fez um alerta arrepiante: o que vivemos hoje é, potencialmente, muito mais perigoso do que a crise financeira de quase duas décadas atrás.
Na visão de Bookstaber, a turbulência de 2008 parece contornável perto do cenário que se desenha agora. Enquanto o desastre anterior foi um problema centralizado no sistema bancário e no crédito imobiliário, os riscos atuais são sistêmicos, multifacetados e muito mais difíceis de conter.
O economista aponta que não enfrentamos mais uma falha única. Vivemos sob a pressão de choques interligados que se propagam em velocidade recorde. Se antes o problema era puramente financeiro, hoje lidamos com riscos físicos e estratégicos que podem desestabilizar o mundo real.
Um dos pontos críticos destacados pelo especialista é a nossa dependência energética e tecnológica. O conflito no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, não ameaça apenas o preço do petróleo; ele coloca em xeque a eletricidade necessária para sustentar a infraestrutura da inteligência artificial. Um choque de oferta nessa área paralisaria data centers e interromperia a cadeia de suprimentos global.
A essa equação soma-se a fragilidade em Taiwan. Como a ilha detém mais da metade da produção mundial de semicondutores avançados, qualquer escalada de tensão com a China não causaria apenas uma perda financeira, mas um apagão tecnológico sem precedentes, afetando desde a economia digital até a indústria pesada.
Bookstaber também destaca o setor de crédito privado, que hoje movimenta cerca de 2 trilhões de dólares, como um barril de pólvora pronto para explodir. Diferente de antigamente, as pressões estão espalhadas: da volatilidade das bolsas às tensões geopolíticas, tudo está conectado.
O aviso de Bookstaber é direto e contundente: ele prefere o risco puramente financeiro, pois este mexe apenas com preços e números em uma tela. O risco físico, pelo qual estamos caminhando, mexe com a vida e com a estabilidade do mundo. Para alguém cuja previsão foi validada pelos fatos em 2008, este novo alerta não deve ser ignorado.