A busca pela imortalidade deu um passo ousado — e gelado — na Austrália. Philip Rhoades, fundador da Southern Cryonics, acaba de realizar um feito inédito no país: o congelamento de seu primeiro cliente, um homem de Sydney que, na casa dos oitenta anos, faleceu recentemente com a esperança de despertar em um futuro distante.
O procedimento, longe de ser simples, foi descrito por Rhoades como uma maratona de tensão. Em entrevista à ABC News, ele admitiu que a equipe passou dias em alerta máximo, prevendo cada falha técnica possível. O mais curioso é que o paciente sequer era um membro da organização. A família entrou em contato de última hora, dando aos especialistas apenas uma semana para planejar uma operação complexa e delicada.
Após o falecimento em 12 de maio, a família investiu cerca de 170 mil dólares australianos (aproximadamente 580 mil reais) para viabilizar o processo. A logística foi frenética: o corpo foi mantido em gelo antes de passar por uma técnica de preservação celular em uma casa funerária, onde fluidos especiais foram introduzidos para evitar danos aos tecidos. Com o corpo resfriado a menos 80 graus Celsius com gelo seco, o trajeto final foi até a instalação da Southern Cryonics, em Holbrook.
Nas instalações, o rigor aumentou. A temperatura foi reduzida a impressionantes 200 graus Celsius negativos, antes do corpo ser transferido para um tanque de armazenamento a vácuo. Ao todo, foram dez horas de trabalho ininterrupto, fruto de meses de simulações com bonecos de teste para garantir que nenhum detalhe falhasse.
Mas o que motiva alguém a se submeter a algo que parece saído de um roteiro de ficção científica? A Southern Cryonics projeta um futuro otimista. Segundo a empresa, o objetivo é permitir que a tecnologia do amanhã alcance o que hoje é impossível. Eles estimam que, em um intervalo de 50 a 100 anos, possamos ter a capacidade técnica de transferir consciências para mundos virtuais.
Indo ainda mais longe, a organização sugere que, com cerca de 250 anos de espera, a medicina regenerativa possa permitir que esses indivíduos habitem novos corpos, jovens e saudáveis, carregando consigo a bagagem intelectual de uma vida passada combinada às inovações do futuro. Se a ideia de desafiar o tempo é uma loucura ou uma visão visionária, só o tempo — ou a falta dele para esse homem de Sydney — dirá.