Compreender o processo natural do fim da vida é um desafio emocional, mas os profissionais de saúde enfatizam que o conhecimento ajuda a reduzir a ansiedade de quem acompanha esse momento. Entre os sinais mais frequentes nas últimas 24 horas de um paciente, destaca-se um fenômeno conhecido tecnicamente como estertor da morte.
Embora o nome possa soar alarmante, trata-se de um evento fisiológico comum. De acordo com enfermeiras especializadas em cuidados paliativos, esse som característico — frequentemente descrito como um ruído úmido, crepitante ou um gorgolejo — surge devido ao acúmulo de pequenas quantidades de saliva e secreções na parte posterior da garganta. Como o paciente, nessa fase terminal, perde a capacidade de deglutir de forma eficaz, o acúmulo de fluidos aliado a alterações no padrão respiratório cria esse efeito sonoro peculiar.
É importante ressaltar que, apesar de ser um momento impactante para familiares e cuidadores, o paciente não sente dor ou desconforto causado por esse barulho. O corpo, muitas vezes, também apresenta oscilações na temperatura, como episódios de febre, pois o organismo já não consegue manter a regulação térmica interna com eficiência.
Pesquisas indicam que, quando o estertor da morte surge, a expectativa de vida gira em torno de 24 a 25 horas. Esse processo tende a ser mais longo em pacientes que recebem cuidados paliativos domiciliares em comparação com aqueles em ambiente hospitalar. Além do som, é comum observar pausas breves na respiração ou uma respiração mais trabalhosa, o que faz parte da progressão natural do declínio das funções orgânicas.
Os profissionais de saúde atuam principalmente na orientação das famílias. Embora existam intervenções para amenizar o volume desse ruído e proporcionar maior conforto aos entes queridos presentes, o foco principal é o acolhimento. Entender que o estertor da morte é um processo natural e indolor é essencial para que os familiares possam atravessar essa etapa final com mais serenidade e suporte.
Em última análise, o papel das equipes médicas não é impedir esse evento, que faz parte da transição biológica, mas sim garantir que o ambiente seja o mais tranquilo possível, oferecendo suporte humano e emocional tanto para quem parte quanto para quem fica.