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Geleira ‘do Juízo Final’, que pode inundar Nova York e Miami, está derretendo e especialistas pedem intervenção ‘urgente’

Geleira ‘do Juízo Final’, que pode inundar Nova York e Miami, está derretendo e especialistas pedem intervenção ‘urgente’

A geleira Thwaites, na Antártica, ganhou um apelido sombrio e justificado: Geleira do Juízo Final. O nome não é exagero de tabloide, mas um reflexo da gravidade com que a comunidade científica encara o estado atual dessa colossal formação de gelo. Pesquisas conduzidas pela International Thwaites Glacier Collaboration indicam que a geleira está perdendo sua estabilidade de forma acelerada, com o potencial de elevar o nível dos oceanos em mais de 60 centímetros por conta própria.

O perigo, porém, vai muito além do volume direto de gelo da Thwaites. Ela atua como uma espécie de "rolha" natural, protegendo a vasta camada de gelo da Antártica Ocidental. O geofísico marinho Rob Larter alerta que, se essa barreira falhar, poderemos assistir a um efeito dominó que elevaria o nível do mar em até 3 metros, ameaçando cidades costeiras ao redor do globo, de Miami a Nova York.

Diante desse cenário, a ciência já discute soluções que antes pareceriam saídas de filmes de ficção científica. Pesquisadores da Universidade de Chicago propuseram a instalação de "cortinas" subaquáticas gigantescas. O objetivo é bloquear a entrada de correntes marítimas quentes, que são as verdadeiras responsáveis por corroer a base da geleira e acelerar seu colapso, previsto para ocorrer nos próximos 200 anos.

O professor Douglas MacAyeal, um dos especialistas à frente da ideia, sugere que a escala dessa engenharia pode ser surpreendentemente viável. Segundo ele, a instalação de 80 quilômetros de barreiras no leito oceânico poderia ser suficiente para mudar o destino da formação e, consequentemente, proteger o nível dos oceanos.

Contudo, os cientistas insistem que a hora de agir é agora. O foco da comunidade acadêmica não é apenas entender o derretimento, mas testar ativamente essas intervenções proativas. A ideia é evitar que, no futuro, a humanidade seja forçada a tomar decisões desesperadas sob a pressão de uma crise iminente.

Qualquer tentativa de salvar a Thwaites exigirá um esforço sem precedentes. Não se trata apenas de engenharia, mas de uma cooperação global que envolva ecologistas, líderes mundiais, especialistas em humanidades e organizações internacionais. Como a perda de gelo deve ganhar velocidade ao longo deste século, a colaboração internacional será o único caminho para garantir que as soluções propostas sejam seguras e eficazes.

Desde 2018, os dados coletados na Antártica têm sido unânimes: o tempo está correndo contra as cidades costeiras. A busca por intervenções sustentáveis e coordenadas não é mais uma opção, mas uma necessidade urgente para enfrentar um dos maiores desafios climáticos do nosso tempo.

Paulo Bravo

Paulo Bravo

CEO e Fundador do Blog Detalhe Curioso (2025). Sua principal fonte de Curiosidades e Mistérios baseados em Fatos Reais. Veja mais artigos →