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“Filme mais perturbador” banido em seis países era tão horrível que os atores não conseguiam terminar suas falas

“Filme mais perturbador” banido em seis países era tão horrível que os atores não conseguiam terminar suas falas

Quando falamos sobre o lado mais sombrio e controverso da história do cinema, poucas obras carregam um peso tão opressivo quanto Salò, ou os 120 Dias de Sodoma. Lançado em 1975 pelo cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, o longa conquistou o estigma de ser um dos títulos mais perturbadores já produzidos, sendo banido em seis países, incluindo Alemanha Ocidental, Austrália, Finlândia, Itália, Noruega e Nova Zelândia.

A premissa é um mergulho em um abismo moral. Ambientado na Itália durante o regime fascista, o enredo foca em quatro figuras influentes e autoritárias que sequestram 18 adolescentes — nove rapazes e nove moças. Mantidos em uma mansão isolada, esses jovens são submetidos a meses de atrocidades, tortura e degradação. As cenas, extremamente gráficas, ultrapassam qualquer fronteira do que o público convencional estaria disposto a tolerar.

O roteiro é uma adaptação de uma obra escrita pelo Marquês de Sade em 1785, enquanto ele estava encarcerado. Essa origem literária confere ao filme uma carga de contexto histórico sobre como o poder absoluto pode corromper e levar o ser humano à perversão mais absoluta.

Até mesmo os bastidores foram marcados por esse clima de repulsa. O filme foi rodado originalmente sem som, com o plano de dublar as falas posteriormente. No entanto, o material era tão pesado que, segundo relatos, grande parte do elenco original se recusou a participar do processo de pós-produção. Foi necessário contratar dubladores profissionais para finalizar a trilha sonora, dado o desconforto traumático dos atores com o que tinham gravado.

O impacto causado pelo filme até hoje é visceral. Em fóruns como o Reddit, espectadores ainda tentam descrever a sensação de náusea ao assisti-lo. Comentários recorrentes sugerem que a experiência é, no mínimo, psicologicamente destrutiva, reforçando a ideia de que a obra foi feita para testar o limite da sanidade de quem a assiste.

Salò, porém, não caminha sozinho nessa categoria de cinema extremo. Outro título frequentemente citado é Nekromantik, produção alemã de 1987 dirigida por Jörg Buttgereit. O filme narra a história de um funcionário de limpeza urbana obcecado por cadáveres, cuja vida toma um rumo grotesco quando ele decide levar um corpo em decomposição para sua casa, envolvendo a esposa em atos de necrofilia.

Assim como Salò, Nekromantik enfrentou proibições severas ao redor do mundo. A natureza gráfica e o tabu absoluto do tema deixaram cicatrizes na cultura pop cinematográfica, sendo frequentemente citado por entusiastas de terror como um filme que muitos se arrependem de ter assistido.

Essas obras colocam em pauta um debate eterno: onde termina a liberdade de expressão artística e onde começa o abuso do espectador? Enquanto alguns críticos argumentam que filmes como esses funcionam como uma denúncia cruel sobre a corrupção humana e o uso nefasto do poder, outros acreditam que o conteúdo ultrapassa qualquer barreira ética, servindo apenas como um registro de violência gratuita que não agrega valor ao debate cultural.

Paulo Bravo

Paulo Bravo

CEO e Fundador do Blog Detalhe Curioso (2025). Sua principal fonte de Curiosidades e Mistérios baseados em Fatos Reais. Veja mais artigos →