Uma polêmica envolvendo a criadora de conteúdo adulto Azra Ay Vandan agitou o cenário digital e jurídico da Turquia nas últimas semanas. Conhecida na web como Süt ou Acnoctem, a influenciadora, que acumula cerca de 200 mil seguidores no Twitter, foi detida após divulgar um plano audacioso que rapidamente escalou para uma crise legal.
No dia 14 de janeiro, Azra anunciou nas redes sociais sua intenção de se relacionar com 100 homens em um intervalo de apenas 24 horas. Na postagem, ela declarou que seu objetivo era superar tanto o recorde turco quanto o mundial, afirmando que sua equipe já estava organizando os critérios de inscrição para os interessados.
A reação das autoridades turcas foi quase imediata. Três dias após o anúncio, Azra e seu marido, Pedram Behdar, foram presos. Eles enfrentam acusações de obscenidade e resistência à autoridade, baseadas na legislação local que veda a produção e a difusão de materiais considerados imorais ou obscenos.
Após a libertação, o casal relatou experiências traumáticas durante o período de custódia. Azra denunciou supostos maus-tratos, descrevendo episódios de violência física, como agressões, puxões de cabelo e uma lesão na orelha. Segundo o relato, eles permaneceram algemados com as mãos para trás por 12 horas e foram forçados a dormir no chão, sem qualquer aparato para proteção contra o frio.
O marido da influenciadora, Pedram, aproveitou o espaço nas redes sociais para criticar o que classificou como um tratamento desigual e sexista da justiça turca. Ele questionou a disparidade na reação social e legal entre homens e mulheres em situações semelhantes, chegando a ironizar: "Qual é o limite diário de relações sexuais na Turquia? É 99? Precisamos saber para agir de acordo".
Mesmo com o vídeo da detenção circulando amplamente na internet, Azra não se afastou do ambiente digital. Pouco tempo depois de ser solta, ela retornou ao OnlyFans com uma nova publicação, agradecendo o suporte de seus seguidores.
Este episódio coloca em xeque a tensão entre a liberdade de expressão, a produção de conteúdo na era da economia dos criadores e as normas morais conservadoras que ainda regem grande parte da sociedade turca. O caso levanta debates necessários sobre como o Estado intervém na autonomia sexual feminina e até que ponto o conservadorismo influencia o cumprimento das leis em casos de exposição digital.