O presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-dama, Brigitte Macron, decidiram levar às últimas consequências a batalha judicial contra as fake news que atingem sua vida privada. O casal, que enfrenta um processo movido nos Estados Unidos, prepara-se para apresentar ao tribunal evidências concretas e científicas para desmentir boatos persistentes sobre o gênero de Brigitte.
A ação judicial tem como alvo principal a influenciadora política americana Candace Owens. A figura ligada ao Partido Republicano divulgou a teoria infundada de que a primeira-dama teria nascido homem, o que levou os Macron a entrarem com um processo por difamação.
Segundo o advogado do casal, Tom Clare, as acusações são profundamente angustiantes. Em entrevista recente à BBC, Clare ressaltou que, embora Macron mantenha o foco em suas funções presidenciais, os ataques à sua família têm um peso inevitável. Para dar um ponto final às especulações, o casal planeja incluir nos autos provas detalhadas, que poderiam incluir registros médicos e até imagens documentais de suas gestações.
A disposição de Brigitte em expor detalhes tão íntimos da sua história pessoal sublinha o nível de determinação do casal em colocar um ponto final nessas narrativas. A defesa de Candace Owens, contudo, tenta arquivar o processo, baseando-se em argumentos de liberdade de expressão, mesmo após ter apostado publicamente sua credibilidade na veracidade das alegações.
Este embate jurídico ocorre após anos de assédio midiático contra a primeira-dama. Em 2021, o casal já havia enfrentado acusações semelhantes de blogueiras francesas. Naquela ocasião, após uma disputa judicial prolongada, a justiça francesa chegou a reverter condenações anteriores em favor das acusadas, sob a prerrogativa da liberdade de expressão.
Para Emmanuel Macron, a situação ultrapassa o debate político comum. Em declaração à revista Paris Match, o presidente francês foi enfático ao defender a honra de sua esposa, descrevendo a conduta dos difamadores como um ataque deliberado, alimentado por agendas ideológicas e interesses políticos radicais.
Enquanto o processo avança em solo americano, a postura dos Macron envia um recado claro: a de que, independentemente do cargo ocupado, eles não aceitarão passivamente que mentiras sobre sua identidade continuem a ser propagadas como verdades.