Esquilos são presenças constantes e discretas em parques e quintais, correndo pelos muros e árvores como figuras habituais do cenário urbano. No entanto, uma série de registros recentes nas redes sociais causou estranhamento e preocupação, ao mostrar esses animais com grandes caroços e protuberâncias que lembram verrugas, concentradas principalmente na região do rosto.
A repercussão começou após relatos de moradores, especialmente no estado americano do Maine. Em um desses episódios, um usuário do Reddit descreveu ter visto um esquilo com uma massa volumosa no rosto. Inicialmente, acreditou-se que o animal estivesse apenas mastigando algo, mas logo ficou claro que o inchaço fazia parte do próprio corpo do bicho.
Apesar da aparência digna de filmes de ficção científica, que levou muitos a apelidarem os roedores de esquilos zumbis, especialistas em vida selvagem esclarecem que o fenômeno é conhecido e tem explicação científica. O quadro está, geralmente, associado à varíola dos esquilos, um vírus natural da espécie.
Os sintomas da infecção incluem a formação de nódulos na pele, especialmente ao redor da boca, olhos e patas, além de áreas com falhas na pelagem. Segundo os biólogos, o sistema imunológico desses animais costuma ser capaz de combater a infecção por conta própria, permitindo que a recuperação ocorra naturalmente.
Shevenell Webb, bióloga do Departamento de Pesca e Vida Selvagem do Maine, enfatiza que a população deve manter distância. A orientação é não tentar capturar ou realizar qualquer tratamento por conta própria. Segundo a especialista, o vírus segue seu curso natural e a intervenção humana não é necessária nem recomendada.
A disseminação do vírus é facilitada pelo contato direto e pelo compartilhamento de espaços. Comedouros para pássaros, por exemplo, acabam atraindo muitos animais para o mesmo ponto, o que torna a transmissão via saliva ou contato físico muito mais simples. É uma dinâmica similar à aglomeração humana: quanto mais próximos os indivíduos estão, maior a chance de propagação de doenças contagiosas.
Vale lembrar que nem todo caroço é sinal de vírus. Algumas moscas parasitas, como a botfly, podem depositar larvas sob a pele dos roedores, criando protuberâncias que podem ser facilmente confundidas com infecções virais. O centro de resgate Evelyn’s Wildlife Refuge reforça que, nesses casos, apenas profissionais qualificados ou veterinários possuem a expertise necessária para o manejo.
Independentemente da causa, a recomendação das autoridades ambientais é unânime: observe de longe e não interfira. Embora o aspecto dos animais possa ser assustador, não há registro de que esse vírus afete humanos ou animais domésticos. Na natureza, o equilíbrio muitas vezes se resolve sem ajuda externa, bastando que deixemos a vida selvagem seguir seu próprio ritmo.