Donald Trump provocou uma onda de controvérsias após publicar, em sua rede social Truth Social, uma imagem gerada por inteligência artificial que gerou estranhamento e críticas severas. Na postagem, feita durante um domingo à noite, o presidente de 79 anos aparece vestindo um manto branco e vermelho, emanando uma espécie de luz divina enquanto parece curar um paciente em um leito hospitalar.
A composição da imagem era carregada de simbolismo patriótico, incluindo a Estátua da Liberdade, águias e a bandeira americana, acompanhados por um soldado e uma enfermeira que observavam a cena com adoração. A reação, porém, foi rápida e negativa, especialmente entre lideranças cristãs e aliados políticos.
A deputada republicana Marjorie Taylor Greene não poupou críticas, descrevendo a imagem como "mais do que blasfêmia" e sugerindo que ela carregava o "espírito do Anticristo". No cenário internacional, o ex-primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, católico declarado, também rotulou a publicação como um ato de loucura e desrespeito religioso. Pressionado pela repercussão, o conteúdo foi deletado da plataforma na manhã seguinte.
Ao ser confrontado por repórteres enquanto recebia um pedido do McDonald's nas proximidades do Salão Oval, Trump apresentou uma explicação peculiar. Ele negou qualquer tentativa de se comparar a figuras divinas e insistiu que a interpretação do público estava equivocada. Segundo ele, o manto representava o trabalho humanitário da Cruz Vermelha, organização que afirma apoiar. "Não era uma representação religiosa. Eu postei porque achei que era eu como médico. Tinha a ver com a Cruz Vermelha", justificou.
O presidente ainda reforçou sua visão sobre o papel que a imagem deveria transmitir: "Era para ser eu como um médico deixando as pessoas melhores, e eu deixo as pessoas melhores". Sobre a remoção do post, ele explicou à CBS News que, embora tenha o hábito de manter suas publicações, decidiu apagá-la para evitar mal-entendidos, já que percebeu que a audiência estava confusa.
Este incidente ocorreu em um período de nítida tensão entre o governo americano e o Vaticano. Recentemente, o Papa Leão criticou bombardeios ao Irã, o que gerou um ataque direto de Trump via redes sociais. O presidente chegou a classificar o pontífice como "fraco no combate ao crime" e "terrível na política externa", argumentando que não aceitaria um Papa conivente com a posse de armas nucleares por parte do governo iraniano.
O Papa Leão, por sua vez, buscou manter uma postura diplomática, afirmando que não desejava entrar em um debate público com Trump. O pontífice ressaltou a necessidade de defender as vítimas inocentes de conflitos globais e apontar que existe um caminho melhor para a humanidade. Em meio ao impasse, figuras como o Bispo Robert Barron, integrante da Comissão de Liberdade Religiosa do governo, sugeriram que um pedido de desculpas ao Papa seria a postura mais adequada para resolver as divergências.