As eliminatórias dos 5.000 metros masculinos nos Jogos Olímpicos de Paris foram marcadas por uma sequência de eventos caóticos que transformaram a pista de atletismo em um cenário de tensão e indignação. O que era para ser uma disputa técnica e fluida acabou se tornando um episódio de erros que deixou atletas, autoridades e o público perplexos.
O clima já era tenso na primeira bateria, quando cinco corredores foram ao chão durante a reta final. O incidente gerou um confronto acalorado entre o britânico George Mills e o francês Hugo Hay. Frustrado após a queda, Mills abordou Hay de forma agressiva logo após cruzar a linha de chegada, trocando empurrões e acusações. Em entrevista à BBC, o britânico foi direto: "Fui derrubado quando tentava acelerar para o sprint final". O Comitê Olímpico, após analisar o tumulto, optou por garantir a Mills uma vaga na final.
No entanto, a situação atingiu um nível bizarro durante a segunda bateria. Com 19 atletas competindo em alta velocidade, um cinegrafista entrou na pista como se estivesse apenas passeando, sem qualquer sinal de preocupação com a prova que acontecia ao seu redor. A cena, capturada em vídeo e viralizada rapidamente, mostra o profissional percebendo o erro no último segundo e congelando no lugar enquanto o pelotão passava a poucos centímetros.
A reação dos competidores foi imediata e enfurecida. Jakob Ingebrigtsen, favorito norueguês e vencedor da bateria, não poupou críticas ao erro de produção. Ele classificou o episódio como um sinal claro de amadorismo. Para o atleta, algo dessa natureza é inadmissível no maior palco esportivo do mundo. Ingebrigtsen destacou que, embora ele estivesse à frente e tenha conseguido desviar, o risco de colisão era real e o descuido do cinegrafista comprometeu o ritmo e a segurança de diversos competidores.
Entre quedas, discussões acaloradas e interferências externas, as eliminatórias ganharam um tom de novela, algo raro para uma prova de fundo. A expectativa agora se volta para a final, que acontece neste sábado, às 14:50 (horário de Brasília), onde o foco espera-se que retorne finalmente ao desempenho esportivo dos corredores, deixando os episódios de "amadorismo" para trás.