Tensões crescentes nas Forças Armadas dos Estados Unidos ganharam novos contornos após relatos alarmantes sobre a conduta de certos comandantes. Segundo denúncias, lideranças militares estariam vinculando a recente ofensiva conjunta com Israel contra o Irã a uma missão de cunho religioso, sugerindo que o presidente Donald Trump estaria cumprindo um propósito divino.
A operação, iniciada no final de fevereiro, culminou na morte do aiatolá Ali Khamenei e desencadeou uma onda de instabilidade política em todo o Oriente Médio. Em meio a esse cenário, mais de 110 militares de 40 unidades diferentes procuraram a Military Religious Freedom Foundation (MRFF) para relatar a imposição de dogmas religiosos durante instruções e reuniões operacionais.
Um dos casos mais detalhados, revelado pelo jornalista Jonathan Larsen, aponta para uma reunião onde um comandante de combate teria justificado os ataques ao Irã como etapas de um plano traçado por Deus. O relato indica que o oficial recorreu a passagens do Livro do Apocalipse para descrever a ofensiva como o início do Armagedom, prevendo o retorno iminente de Jesus Cristo.
O denunciante afirma que o comandante chegou a declarar que Donald Trump teria sido "ungido por Jesus" para deflagrar o conflito e marcar o fim dos tempos. Segundo o relato, o oficial transmitiu a mensagem com naturalidade e satisfação, apesar da gravidade da retórica. A queixa foi assinada por 15 membros da unidade, composta por militares de diferentes fés, incluindo cristãos, um judeu e um muçulmano, todos em prontidão para deslocamento ao Oriente Médio.
De acordo com os depoimentos, o comandante já possuía um histórico de proselitismo. Um dos soldados relatou que ele mantém uma postura de "cristão em primeiro lugar", deixando claro que espera que todos os seus subordinados sigam o mesmo caminho religioso.
O caso coloca em xeque o Código Uniforme de Justiça Militar dos EUA, que proíbe estritamente qualquer forma de pressão religiosa sobre subordinados. Mikey Weinstein, presidente da MRFF, afirma que a organização tem sido bombardeada por denúncias semelhantes provenientes de diversas bases militares.
Enquanto a polêmica ganha força, o governo americano nega oficialmente o uso de retórica religiosa nas comunicações internas. Um porta-voz da Casa Branca reiterou que as operações no Irã possuem caráter estritamente estratégico, focadas na neutralização de infraestruturas militares, mísseis e forças navais, sem qualquer vínculo com pautas teológicas.