A vida afetiva e sexual tem passado por transformações profundas nas últimas décadas, e um novo estudo acaba de colocar em xeque velhos estereótipos sobre como diferentes gerações lidam com a intimidade. Esqueça a ideia de que a juventude é sinônimo de uma vida sexual hiperativa ou que o interesse cai drasticamente com o passar dos anos; a realidade é muito mais complexa e surpreendente.
A pesquisa, conduzida pelo renomado Instituto Kinsey da Universidade de Indiana em parceria com o aplicativo de namoro Feeld, intitulada O Estado do Namoro: Como a Geração Z está Redefinindo a Sexualidade e os Relacionamentos, ouviu 3.310 pessoas. O levantamento revelou que a frequência sexual não segue uma linha reta baseada na idade.
O ponto que mais chama a atenção é o comportamento da Geração Z. Contrariando a percepção de serem uma geração mais liberada, os mais jovens estão, na verdade, fazendo menos sexo do que se imaginava. O Dr. Justin Lehmiller, pesquisador responsável pelo estudo, aponta um dado curioso: a Geração Z e os Boomers apresentam frequências sexuais quase idênticas, ambos relatando uma média de apenas três relações sexuais no último mês.
Enquanto isso, os Millennials e a Geração X ocupam o topo da lista, com uma média de cinco encontros sexuais por mês. Esses dados derrubam o mito de que o desejo diminui gradualmente com o envelhecimento, mostrando que existe uma curva de atividade muito particular entre os grupos.
Um fator explicativo para a baixa frequência entre os Zers é o estado civil: quase metade deles declarou estar solteira, um índice muito superior ao dos outros grupos, onde a solteirice atinge apenas um quinto dos entrevistados.
Porém, menos sexo não significa falta de curiosidade. O estudo mostra que a Geração Z é extremamente aventureira. Mais da metade (55%) dos jovens revelou ter descoberto um novo fetiche ao utilizar a plataforma, superando a taxa de descoberta de Millennials, Geração X e Boomers.
Para os especialistas, existem dois caminhos para entender esse dado: ou os mais velhos já conhecem bem suas preferências após anos de vivência, ou a Geração Z, de fato, possui uma abertura cultural muito maior para explorar o desconhecido.
A pesquisa também trouxe surpresas sobre o formato dos relacionamentos. Curiosamente, a Geração Z demonstrou um interesse mais acentuado na monogamia tradicional (23%), enquanto as gerações anteriores, como Millennials e a Geração X, mostraram-se mais inclinadas à não-monogamia ética. Já entre os Boomers, o formato de amizade colorida ganhou destaque como a preferência de 27% dos entrevistados.
Em última análise, essas descobertas provam que a sexualidade moderna não é ditada apenas pelos ponteiros do relógio. Ela é o resultado de uma trama complexa onde se cruzam o contexto social, as experiências de vida e a evolução das normas culturais.