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Cidade subaquática encontrada perto de suposto “local de descanso da Arca de Noé” pode reescrever a história da Bíblia

Cidade subaquática encontrada perto de suposto “local de descanso da Arca de Noé” pode reescrever a história da Bíblia

As águas misteriosas do Lago Van, na Turquia, escondem um enigma arqueológico que tem provocado intensos debates entre historiadores. A cerca de 25 metros de profundidade, repousam as ruínas de uma cidade antiga, cuja descoberta inicial ocorreu em 1997, pelas lentes do cinegrafista subaquático Tahsin Ceylan. No entanto, é apenas agora que a real relevância desse sítio começa a vir à tona, desafiando nossa compreensão sobre civilizações ancestrais.

Localizada nas proximidades de Gevaş e a menos de 250 quilômetros do Monte Ararat — o lendário ponto de repouso da Arca de Noé descrito nas escrituras —, a estrutura submersa despertou a curiosidade de especialistas ao redor do mundo. Alguns pesquisadores a comparam a uma versão real da mítica Atlântida, mas sua conexão mais fascinante aponta para uma das narrativas mais impactantes da humanidade: o grande dilúvio bíblico.

O arqueólogo Matthew LaCroix, um dedicado estudioso de civilizações esquecidas, classifica este achado como um dos mais cruciais da arqueologia moderna. A cidade estende-se por cerca de 800 metros e exibe uma arquitetura impressionante, composta por templos circulares e uma fortaleza de pedra. A precisão técnica no manuseio dos blocos sugere um nível de sofisticação arquitetônica que, para muitos, parece exceder o que seria possível para a tecnologia documentada nos últimos seis milênios.

Um detalhe que tem instigado pesquisadores é a presença do símbolo da Flor da Vida — um padrão de seis pétalas — gravado nas estruturas. A recorrência desse mesmo símbolo em ruínas antigas na América do Sul reforça a tese de LaCroix de que poderíamos estar diante dos vestígios de uma cultura altamente avançada que prosperou muito antes do que os livros de história tradicionalmente admitem, possivelmente antes do fim da última Era do Gelo, há cerca de 12 mil anos.

Cidade subaquática encontrada perto de suposto “local de descanso da Arca de Noé” pode reescrever a história da Bíblia

A conexão com o dilúvio bíblico não é mera coincidência, segundo os teóricos. O período conhecido como Dryas Recente, ocorrido entre 12.900 e 11.700 anos atrás, foi marcado por convulsões climáticas severas. Evidências geológicas indicam que a erupção do Monte Nemrut, um vulcão na região, pode ter bloqueado o Rio Mirat, gerando inundações catastróficas na bacia do Lago Van.

Esses eventos locais, de proporções devastadoras, podem ter sido o catalisador histórico por trás dos mitos universais sobre um dilúvio global. Muito antes da redação dos textos bíblicos, povos sumérios já narravam o épico de sobreviventes como Ziusudra e Utnapishtim. A localização da cidade submersa, tão próxima ao Monte Ararat e datada desse período conturbado, fornece um cenário físico concreto que pode ter dado origem a essas lendas ancestrais.

Embora a descoberta não descarte nem confirme a veracidade literal dos textos religiosos, ela abre uma janela fascinante para um passado remoto. A cidade subaquática do Lago Van sugere que desastres naturais reais, esquecidos pelo tempo, moldaram profundamente o imaginário e a espiritualidade das primeiras civilizações humanas. A investigação continua, transformando, finalmente, o achado de Tahsin Ceylan em um dos marcos mais importantes da arqueologia contemporânea.