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China tem um plano de “megaconstelação” de $ 943.000.000 com 13.000 satélites que rivalizará com Starlink de Elon Musk

China tem um plano de “megaconstelação” de $ 943.000.000 com 13.000 satélites que rivalizará com Starlink de Elon Musk

A corrida pelo domínio da conectividade espacial acaba de ganhar um novo capítulo decisivo. A China entrou de vez na disputa global pela internet via satélite, desafiando a hegemonia da Starlink, de Elon Musk, com investimentos robustos e planos de escala gigantesca.

A Shanghai Spacecom Satellite Technology (SSST) confirmou a captação de US$ 943 milhões — cerca de 6,7 bilhões de yuans — para acelerar o desenvolvimento do projeto G60. Esta nova rede chinesa focará na tecnologia de órbita terrestre baixa (LEO), essencial para oferecer uma internet rápida e com baixa latência em escala global.

O diferencial dos satélites LEO está na altitude. Enquanto os sistemas tradicionais geoestacionários orbitam a mais de 35 mil quilômetros de distância, os dispositivos do projeto G60 operarão a apenas 550 quilômetros da superfície. Essa proximidade é o segredo para garantir velocidades superiores e uma conexão mais estável. A meta chinesa é ambiciosa: colocar cerca de 12 mil satélites em órbita nos próximos anos.

China tem um plano de “megaconstelação” de $ 943.000.000 com 13.000 satélites que rivalizará com Starlink de Elon Musk

Além do projeto G60, a China trabalha em paralelo com o sistema China SatNet, conhecido como Guowang (Rede Nacional). O objetivo é fortalecer a infraestrutura de banda larga do país e apoiar sua economia digital, que demanda cada vez mais autonomia tecnológica.

Atualmente, a Starlink, da SpaceX, é a referência no setor, com uma frota superior a 6 mil satélites atendendo mais de 4 milhões de usuários em quase 100 países. O plano de Musk é expandir essa rede para impressionantes 42 mil unidades. Contudo, a estratégia chinesa pode encontrar terreno fértil em regiões onde a Starlink enfrenta impasses regulatórios ou restrições políticas.

China tem um plano de “megaconstelação” de $ 943.000.000 com 13.000 satélites que rivalizará com Starlink de Elon Musk

Um movimento estratégico importante já está em curso: a SpaceSail, empresa por trás do projeto G60, selou uma parceria com a Telebrás, estatal brasileira, para explorar serviços de internet via satélite no Brasil. Esse tipo de aliança é fundamental para a China, uma vez que a Starlink não possui licença para operar em território chinês e enfrenta obstáculos em outros mercados, como África do Sul e Camarões.

A disputa pelo espaço também reflete a intensa briga geopolítica e tecnológica entre Washington e Pequim. Recentemente, as tensões subiram com as restrições chinesas à exportação de minerais estratégicos, como gálio e germânio — essenciais para a indústria de alta tecnologia —, que encareceram significativamente os custos de produção nos Estados Unidos.

A popularização dos satélites LEO marca uma mudança definitiva na forma como o mundo acessa dados. Ao reduzir a distância entre o céu e a Terra, a tecnologia democratiza o acesso em áreas remotas e desafia as operadoras de telecomunicações tradicionais. Embora a Starlink ainda mantenha a dianteira, o cenário aponta para uma era de maior diversificação e competitividade, onde a soberania digital será decidida, literalmente, na órbita terrestre.