Antony Starr, o rosto por trás do icônico Capitão Pátria em The Boys, decidiu colocar os pingos nos is. Em uma aparição recente na convenção For The Love Of SciFi, em Manchester, o ator não poupou palavras ao comentar sobre uma parcela do público que insiste em idolatrar seu personagem, um vilão cruel que representa, ironicamente, tudo o que a série tenta satirizar.
O ponto central da frustração de Starr reside no fato de que muita gente — especialmente setores da direita política americana — não compreendeu a mensagem da série. Para o ator, essa leitura equivocada é desconcertante. Sem rodeios, ele disparou que aqueles que admiram o Capitão Pátria como um herói ou um ícone político são, em suas palavras, tão inteligentes quanto uma pedra.
A série nunca escondeu a verdadeira face do personagem. O Capitão Pátria é um sociopata que trata seres humanos como descartáveis e exibe uma crueldade que beira o absurdo, como na cena em que humilha um cidadão durante um evento de aniversário, levando-o a um fim trágico. Embora a quarta temporada tenha mergulhado fundo no passado traumático do personagem — revelando um histórico de tortura em laboratórios —, o roteiro deixa claro que esse trauma explica a formação do vilão, mas não justifica, de forma alguma, sua postura fascista e seu desprezo pela vida.
Starr é enfático: se você se declara fã do Capitão Pátria, algo está fundamentalmente errado. Segundo o ator, dizer que o ama como figura de admiração é um sinal de que o espectador não entendeu a sátira escancarada da produção. Esse fenômeno revela uma falha curiosa no consumo de entretenimento, onde o público ignora as intenções narrativas para projetar ideais próprios em figuras que, na tela, são monstros inquestionáveis.
Curiosamente, dentro do universo de The Boys, a aura de invencibilidade do Capitão Pátria é debatida até pelos próprios fãs, que apontam como ele seria facilmente superado por outros heróis icônicos da cultura pop, como versões alternativas do Superman ou até o improvável Sportacus, de Lazy Town.
No fim das contas, a atuação brilhante de Antony Starr construiu um vilão multifacetado, capaz de provocar um vislumbre de pena por seu passado sofrido, mas que permanece como um aviso sobre o que acontece quando um indivíduo tem poder divino, mas é completamente destituído de empatia humana. A mensagem de Starr é um lembrete direto: o Capitão Pátria não é um herói, e aplaudi-lo diz muito mais sobre o espectador do que sobre o personagem.