O clima de insegurança tomou conta de famílias em Columbia Heights, nos arredores de Minneapolis, após uma sequência de operações de imigração em Minnesota. O que deveria ser a rotina tranquila de um ano letivo transformou-se em pesadelo para pais e alunos quando agentes do ICE passaram a realizar abordagens próximas às escolas e residências.
O caso mais impactante envolveu Liam Ramos, um menino de apenas cinco anos. Ele mal tinha chegado da pré-escola quando foi interceptado pelos oficiais junto com o pai. Embora a abordagem não tenha ocorrido dentro dos portões da escola, o contexto da rotina acadêmica da criança gerou um forte choque na comunidade local.
O distrito escolar relatou pelo menos quatro episódios envolvendo estudantes em um curto intervalo. Entre eles, uma menina de 10 anos levada junto com a mãe a caminho da escola, e dois adolescentes de 17 anos detidos em situações distintas — em um dos casos, sem a presença dos responsáveis.
A superintendente do distrito, Zena Stenvik, rompeu o silêncio diante do medo que se espalhou pelos corredores das escolas. Relatos indicavam agentes rondando bairros, seguindo ônibus escolares e monitorando estacionamentos. Stenvik descreveu o trauma vivido pelos alunos e o sentimento de impotência da equipe pedagógica, enfatizando que o ambiente educacional foi profundamente abalado.
A resposta do governo federal, porém, veio com uma visão diferente. O Departamento de Segurança Interna negou categoricamente que as crianças tenham sido o alvo das operações, sustentando que as ações miravam apenas adultos em situação migratória irregular. Sobre o caso de Liam, o órgão afirmou que o agente apenas permaneceu com o menino por questões de segurança durante a detenção do pai.
A defesa da família Ramos contesta essa narrativa. O advogado do caso garantiu que o pai e o filho permanecem sob custódia, ressaltando que entraram nos Estados Unidos através de postos oficiais, com toda a documentação em dia e sem antecedentes criminais.
Enquanto as versões divergem nos tribunais e gabinetes, o efeito prático nas ruas é evidente: o temor de novas abordagens no trajeto para a sala de aula tem mantido muitas crianças longe das escolas, deixando o distrito educacional em uma situação de alerta e preocupação constante.