O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, retornou à Casa Branca em setembro para uma reunião estratégica com Donald Trump, mas foi a sua escolha de vestimenta que roubou a cena, superando até mesmo os temas políticos em discussão. O visual escolhido pelo líder ucraniano marcou um contraste absoluto em relação à sua visita anterior, realizada em fevereiro.
Naquela ocasião, Zelensky optou por seu traje militar habitual, uma escolha que simboliza a resistência da Ucrânia diante da guerra, mas que acabou gerando críticas. Na época, o próprio Trump fez comentários sarcásticos sobre a roupa, e o repórter Brian Glenn chegou a questionar publicamente se o presidente ucraniano possuía algum terno em seu guarda-roupa.
O cenário em setembro foi completamente diferente. Zelensky surgiu com um conjunto formal: terno e camisa pretos, mantendo o estilo sóbrio, mas sem o uso de gravata. Curiosamente, tratava-se do mesmo traje que ele havia exibido em uma cúpula da OTAN em junho — a primeira vez que ele trocou o uniforme de guerra pelo estilo executivo desde o início da invasão russa, em 2022.
A mudança não passou despercebida. O mesmo repórter, Brian Glenn, fez questão de elogiar o visual: "Primeiro, presidente Zelensky, você está fabuloso nesse terno. Você está ótimo". Com um toque de humor, Trump lembrou Zelensky das críticas passadas, ao que o ucraniano rebateu com um sorriso e a frase "Eu mudei, você não", arrancando risadas de todos no recinto, incluindo o próprio Trump.
Bastidores revelam que o tema da vestimenta foi levado a sério antes mesmo do encontro. A Casa Branca chegou a sondar autoridades ucranianas sobre o visual do presidente, com um conselheiro de Trump brincando que vê-lo de terno seria "um bom sinal para a paz".
Para além da moda, a reunião de setembro apresentou um tom significativamente mais diplomático do que a anterior, que fora marcada por tensões. Conselheiros de Trump notaram que Zelensky adotou uma postura mais conciliadora, evitando confrontos diretos que haviam gerado atritos no passado.
Ao término do encontro, Zelensky descreveu a conversa como "muito boa" e oficializou um convite para que Trump participe de futuras negociações de paz, sugerindo a possibilidade de diálogos trilaterais que incluam o líder russo, Vladimir Putin. Trump, que já havia manifestado interesse em atuar como mediador, pareceu receptivo à ideia.
Zelensky demonstrou otimismo, tratando a paz não como uma possibilidade, mas como uma questão de tempo. As discussões avançaram para tópicos delicados, como possíveis trocas territoriais e garantias de segurança para a Ucrânia. Sobre este último ponto, Trump não descartou a presença de tropas americanas como parte de um pacote de segurança, reforçando que o assunto seria debatido com outros líderes europeus presentes, como Keir Starmer, do Reino Unido, e Mark Rutte, da OTAN.
Mais do que uma mudança de estilo, a visita de setembro sinalizou um possível degelo nas relações entre Zelensky e Trump, indicando uma nova fase, ainda que desafiadora, nas tratativas para o fim do conflito.