Encontre o assunto que lhe trouxe cá utilizando o ícone de pesquisa na barra abaixo, pesquise pelo título da matéria.

Um dos filmes mais assistidos na Netflix é uma história real angustiante que deixou os fãs se perguntando como não ganhou um Oscar

Um dos filmes mais assistidos na Netflix é uma história real angustiante que deixou os fãs se perguntando como não ganhou um Oscar

A Sociedade da Neve tornou-se um fenômeno inesperado na Netflix, capturando o público com uma intensidade rara. O filme em espanhol, que narra a angustiante luta pela sobrevivência após o acidente aéreo da equipe de rúgbi uruguaia nos Andes em 1972, deixou muitos espectadores indignados: afinal, por que uma obra tão impactante foi ignorada nas categorias principais do Oscar?

Dirigido por J.A. Bayona e baseado na obra de Pablo Vierci, o longa é uma aula de cinema que equilibra horror e humanidade. Com uma nota de 90% no Rotten Tomatoes e um sólido 7.8 no IMDb, o filme conquistou o respeito tanto da crítica especializada quanto do grande público, figurando rapidamente entre os títulos mais vistos da plataforma de streaming.

Apesar do sucesso, a Academia limitou o reconhecimento a indicações para Melhor Filme Internacional e Melhor Maquiagem e Penteado. Para muitos fãs, isso parece pouco. Nas redes sociais, o sentimento de injustiça é evidente. Um espectador destacou no Reddit a técnica impecável do diretor, questionando como uma produção com cortes tão magistrais e uma carga emocional tão potente não figurou na disputa de Melhor Filme. Outros chegaram a comparar a experiência de assistir à obra com grandes produções como Oppenheimer, afirmando que a força narrativa de A Sociedade da Neve se equipara, ou até supera, os indicados tradicionais.

Críticos de peso, como os da Empire Magazine, reforçaram a qualidade técnica e a sensibilidade do diretor em transformar uma tragédia visceral em um relato comovente sobre os limites do ser humano. A imparcialidade moral e a virtuosidade técnica, como apontou o The Times, elevam o filme a um patamar poucas vezes visto no gênero de sobrevivência.

É verdade que o Oscar de 2024 foi um ano de competição acirrada, com gigantes como Oppenheimer, Barbie e Assassinos da Lua das Flores dominando os holofotes. Até filmes muito elogiados, como A Garra de Ferro, acabaram esquecidos. No entanto, o sucesso de A Sociedade da Neve prova que o bom cinema, independentemente da língua ou do país de origem, consegue romper barreiras e criar conexões profundas com o público global.

Por trás das câmeras, a história real é ainda mais impressionante. Em 13 de outubro de 1972, o voo 571 da Força Aérea Uruguaia colidiu contra uma montanha nos Andes a 3.600 metros de altitude. O que se seguiu foram 72 dias de um calvário inimaginável. Dos 45 a bordo, apenas 16 conseguiram retornar vivos, após suportarem temperaturas glaciais, avalanches e a necessidade extrema de tomar decisões traumáticas para evitar a inanição.

O desfecho épico, protagonizado por Nando Parrado e Roberto Canessa, que caminharam dez dias por entre os picos nevados para buscar socorro, transformou essa tragédia em um dos maiores relatos de resistência da história moderna. Mais do que uma indicação ao Oscar, o verdadeiro legado de A Sociedade da Neve é a forma como eternizou, com respeito e maestria, a coragem daqueles que se recusaram a desistir.