Com uma vitória contundente que redesenha o cenário político dos Estados Unidos, Donald Trump foi eleito o 47º presidente do país. Ao superar a vice-presidente Kamala Harris, o candidato republicano garantiu os 270 votos necessários no Colégio Eleitoral, oficializando seu retorno ao poder após o período de 2017 a 2020. A posse está marcada para 6 de janeiro em Washington D.C., contando com JD Vance como seu vice-presidente. A vitória teve repercussão imediata entre aliados de peso, como Elon Musk, que afirmou que o povo americano deixou claro o caminho que deseja seguir para o país.
Um dos pontos mais surpreendentes da nova agenda é a guinada em relação às criptomoedas. Trump, que antes demonstrava ceticismo, agora planeja transformar os EUA em um centro global de ativos digitais. A proposta inclui manter as reservas federais de Bitcoin oriundas de apreensões judiciais. O mercado reagiu instantaneamente, com o Bitcoin alcançando a marca histórica de 75 mil dólares e analistas especulando patamares ainda mais altos, apesar da volatilidade intrínseca ao setor.
No campo econômico, a estratégia de Trump foca em uma equação desafiadora: reduzir impostos domésticos enquanto eleva as tarifas de importação. Segundo o presidente eleito, essa combinação impulsionará o crescimento a ponto de cobrir qualquer perda de arrecadação. No entanto, economistas expressam cautela quanto à viabilidade de conciliar cortes tributários agressivos com a redução do déficit federal.
A política migratória promete ser tão rigorosa quanto no mandato anterior. Entre os planos de destaque, está a retomada da construção do muro na fronteira, possivelmente utilizando a Lei da Insurreição para mobilizar forças militares na operação. Trump também defende um plano de deportações em larga escala que, segundo o Conselho Americano de Imigração, poderia envolver até 11 milhões de pessoas e custar quase 1 trilhão de dólares. Além disso, não está descartado o retorno de restrições de viagens a países de maioria muçulmana.
Na geopolítica, as promessas são de mudanças profundas. Trump tem sido crítico à forma como a atual administração geriu o conflito na Ucrânia, prometendo encerrar a guerra rapidamente, embora sem detalhar a estratégia. Sobre o Oriente Médio, ele mantém uma postura crítica em relação às táticas militares e sinalizou restrições de visto para estudantes estrangeiros envolvidos em protestos pró-Palestina.
Em temas sociais, o foco permanece no apoio à autonomia dos estados para regulamentar o aborto. Contudo, o novo governo pretende adotar políticas de incentivo à família, como a oferta de acesso gratuito a tratamentos de fertilização in vitro (FIV), uma tentativa de oferecer uma visão mais abrangente sobre a saúde da mulher.
Por fim, a agenda ambiental deve priorizar a exploração de combustíveis fósseis em detrimento de energias renováveis, como a eólica offshore. A promessa de campanha é clara: maximizar a perfuração em terras federais para alcançar a independência energética, revertendo diversas normas ambientais estabelecidas durante o governo Biden. O setor financeiro, por sua vez, já se movimenta para se adaptar a essa nova fase regulatória, aguardando os próximos capítulos da política econômica americana.