Após sete anos e cinco temporadas, The Boys encerrou sua jornada no Prime Video, fechando o ciclo de uma das produções mais provocativas e comentadas da última década. Lançada em 2019, a série conquistou o público ao subverter os clichês dos super-heróis, trocando o idealismo heroico por uma sátira sombria e violenta sobre poder, fama e a corrupção corporativa.
Durante suas primeiras temporadas, a série foi unanimidade, elogiada por seu humor ácido e pela audácia em confrontar o espectador. Contudo, na reta final, essa força parece ter se diluído. Fãs nas redes sociais apontam que a narrativa perdeu o ritmo, tornando-se menos incisiva e mais arrastada. A sensação é de que a trama sacrificou o foco principal para dar espaço a ganchos de séries derivadas e expansões de universo, frustrando quem esperava um desfecho mais direto.
O resultado foi uma divisão profunda. Enquanto uma parte do público aceitou o encerramento, uma parcela expressiva não poupou críticas, indo ao extremo de rotular o capítulo final como o “pior da história da televisão”.
O estopim para a polêmica foi a derrota de Homelander. Após anos sendo a personificação da ameaça máxima, o vilão cai de forma que muitos consideraram anticlimática: ele tem seus poderes removidos por Kimiko, sendo finalmente eliminado por Butcher com seu emblemático pé de cabra.
A execução dessa sequência gerou comparações imediatas com o controverso desfecho de Game of Thrones. Assim como a morte do Rei da Noite por Arya Stark — que decepcionou muitos espectadores pela falta de conexão direta entre o algoz e o vilão —, a queda de Homelander foi vista por alguns como um movimento de roteiro forçado. Para esses críticos, o momento soou como uma tentativa de subversão que acabou falhando em entregar a catarse esperada.
A frustração também se estendeu ao desfecho do plano de Butcher. Consumido pelo luto após a morte de seu cachorro, Terror, ele tenta liberar um vírus capaz de dizimar todos os supers. A intervenção de Hughie, que impede o genocídio, leva a um encerramento onde a maioria dos personagens sobrevive, buscando uma paz que muitos acharam pouco convincente para o tom implacável que a série sempre carregou.
Críticas nas redes sociais não faltaram. Entre reclamações sobre a velocidade das decisões de roteiro — como a aparente invulnerabilidade de Homelander sendo descartada em poucos episódios — e a sensação de que arcos importantes foram mal resolvidos, o consenso entre os detratores é de um final decepcionante e apressado.
Embora o rótulo de "pior final de todos os tempos" seja uma hipérbole recorrente em debates sobre cultura pop, a reação negativa em torno de The Boys é inegável. O encerramento da série deixou um gosto amargo em muitos seguidores, provando que, até mesmo em suas horas finais, a produção continuou gerando exatamente o que mais gostava: caos e debates intensos.