A morte de Daniel Mastral, aos 57 anos, deixou seguidores e internautas consternados após o corpo do escritor ser encontrado na noite de domingo, em uma área arborizada no bairro de Aldeia da Serra, em Barueri, região metropolitana de São Paulo. O local foi isolado pela Guarda Municipal após o relato de moradores que ouviram um barulho semelhante a um disparo momentos antes da descoberta. O caso foi registrado preliminarmente pelas autoridades policiais como suicídio.
Nascido Marcelo Agostinho Ferreira, Mastral tornou-se uma figura pública de grande impacto, especialmente por sua trajetória narrada como um ex-praticante de satanismo. Ele ganhou notoriedade literária com a trilogia Filho do Fogo e consolidou sua presença digital em um canal no YouTube que reunia mais de 780 mil inscritos, além de ser presença constante em diversos podcasts de grande audiência.
Em entrevistas recentes, como a concedida em fevereiro deste ano, Mastral compartilhava detalhes de seu suposto passado ocultista. Ele afirmava ter rompido com a seita da qual fazia parte após receber ordens para cometer um sacrifício humano. Segundo o autor, o pedido visava elevar sua hierarquia e conferir-lhe maior poder, algo que ele recusou, alegando não possuir a frieza necessária para tal ato.
A trajetória pessoal de Mastral foi marcada por perdas profundas e dolorosas nos últimos anos. Em 2021, ele enfrentou o falecimento de sua esposa, Isabela Mastral, médica e também escritora, vítima de um infarto agudo do miocárdio aos 52 anos. Três anos antes, em 2018, ele já havia sofrido o impacto da perda de seu filho, de 15 anos, que tirou a própria vida após uma batalha contra a depressão.
Ao longo de sua carreira, o autor assumiu o papel de teólogo e palestrante, focando suas falas nas experiências que teria vivido nas práticas ocultas e no processo de libertação. Sua história, contudo, sempre caminhou entre a curiosidade e o debate; ele era um nome polarizador, dividindo opiniões entre aqueles que viam em seu relato uma mensagem de redenção e aqueles que questionavam a veracidade de suas alegações.
Além da literatura, Mastral utilizava suas redes sociais como um espaço de diálogo, abordando desde questões espirituais até orientações sobre superação pessoal. Seu estilo direto e a forma emocional com que narrava sua vida pessoal atraíram um público fiel que buscava em suas palavras um apoio ou perspectiva diferente sobre a fé.
Atualmente, o falecimento de Daniel Mastral permanece sob investigação pelas autoridades policiais. O inquérito busca esclarecer com precisão as circunstâncias que levaram o escritor àquela área arborizada em Barueri, em um desfecho que encerra a vida de uma das figuras mais enigmáticas do cenário digital e literário brasileiro.