Ao explorar os arranha-céus de Nova Iorque, um detalhe inusitado costuma passar despercebido pelos turistas, mas é um padrão consolidado entre os locais: em muitos edifícios, o 13º andar simplesmente não existe na numeração oficial. Se você subir por um elevador, verá o painel saltar diretamente do 12 para o 14, como se o número em questão tivesse sido apagado do mapa.
Essa peculiaridade não tem relação com as diferenças de contagem entre os sistemas americano e europeu. Trata-se de uma estratégia de mercado enraizada na triscaidecafobia, o medo irracional do número 13. Para muitos construtores e imobiliárias, eliminar o andar da sinalização é uma forma simples de evitar que inquilinos supersticiosos recusem apartamentos por puro receio de "má sorte".
Os números comprovam o peso dessa tradição. Um levantamento do portal StreetEasy, realizado em 2020, revelou que apenas 9% dos edifícios residenciais nova-iorquinos com mais de 13 andares exibem o número publicamente. Além disso, a Otis Elevator Company aponta que 85% de seus elevadores instalados na cidade sequer possuem o botão 13. Quando o andar existe, ele é frequentemente rebatizado como 12A, pula direto para 14 ou é destinado apenas a áreas técnicas e depósitos.
Apesar da prática ser comum em prédios residenciais, nem todos os ícones da cidade aderiram à regra. Monumentos como o Empire State e o Flatiron Building mantêm o 13º andar em seus registros oficiais. No entanto, para a maioria dos proprietários, o risco de deixar um imóvel vago por causa de uma superstição é um prejuízo que ninguém quer correr. Como explicou o historiador Andrew Alpern, a omissão virou um costume prático: um construtor começou, outros seguiram, e a ausência do número tornou-se parte da cultura imobiliária de Nova Iorque.
Mas por que o 13 carrega essa fama negativa? As raízes são profundas e variadas. No imaginário cristão, a associação remete à Última Ceia, onde o 13º convidado foi Judas Iscariotes. Na mitologia nórdica, a presença do deus trapaceiro Loki como o 13º integrante de um banquete também culminou em um evento trágico. Até no tarô, a carta de número 13 é associada à morte.
No fim das contas, essa lacuna nos painéis dos elevadores é um exemplo fascinante de como crenças ancestrais continuam a ditar as regras na arquitetura de uma metrópole ultramoderna. O 13º andar continua lá, físico e concreto, mas, para quem olha os botões do elevador ou as placas de sinalização, ele é um mistério invisível, escondido atrás de outros números para manter a paz de espírito dos moradores.