Na última quinta-feira, 12 de junho, uma cena de horror tomou conta do céu de Ahmedabad, na Índia. O voo AI171 da Air India, que acabara de decolar com destino a Londres, transformou-se em uma bola de fogo após colidir com uma área residencial menos de um minuto depois de sair do solo.
A tragédia deixou um saldo devastador: todos os 241 passageiros e tripulantes a bordo perderam a vida, além de várias pessoas que estavam em terra. Em meio ao cenário de destruição, surgiu um milagre solitário. O britânico Vishwash Kumar Ramesh, de 40 anos, conseguiu rastejar para fora dos destroços em chamas antes que o fogo consumisse o local. Ele é, até o momento, o único sobrevivente conhecido desta catástrofe.
Enquanto equipes de resgate vasculhavam os escombros de um alojamento estudantil atingido, a Air India anunciou medidas de suporte. Campbell Wilson, CEO da companhia, informou que um pagamento inicial de 2,5 milhões de rúpias será destinado às famílias das vítimas e ao sobrevivente. As caixas-pretas da aeronave já foram recuperadas e serão cruciais para esclarecer as causas da queda.
Diante do silêncio oficial, especialistas começam a analisar os poucos dados disponíveis. Vídeos da decolagem mostram o avião ganhando altura antes de perder sustentação bruscamente, seguidos pela última transmissão do comandante Sumeet Sabharwal: um pedido de socorro relatando falta de empuxo e incapacidade de subir.
Ross Aimer, um piloto com quatro décadas de experiência em grandes companhias, como a United Airlines, declarou-se "chocado, mas não surpreso" com o ocorrido. Ele aponta preocupações recorrentes que cercam o modelo Boeing 787 Dreamliner desde 2011. Embora este seja o primeiro acidente fatal envolvendo essa aeronave, o histórico de alertas emitidos pela FAA, a agência de aviação dos EUA, é extenso.
Embora Aimer considere prematuro cravar uma causa, ele observa que a aeronave estava pesada, carregada com o combustível necessário para a rota até Gatwick. "A única coisa que me vem à mente, vendo o avião afundar, é uma possível falha de motor", avalia.
Outra teoria discutida por especialistas, como o Capitão Steve, é a hipótese de uma decolagem com os flaps retraídos, o que impediria a sustentação necessária. No entanto, Steve pondera que essa falha seria praticamente "inconcebível", já que exigiria que a tripulação ignorasse múltiplos alertas sonoros e visuais de segurança.
A investigação também deve olhar atentamente para os motores. Aimer recorda que o modelo utiliza motores Rolls-Royce Trent, que já enfrentaram polêmicas no passado devido a relatos de trincas e corrosão, levando até a interrupções temporárias de voo em outras ocasiões.
Apesar das críticas, o veterano enfatiza que seria irresponsável rotular a aeronave como insegura sem provas concretas, embora admita que as recorrentes questões de fabricação do modelo gerem apreensão. "Não culpo as pessoas por ficarem receosas com a aviação após tudo o que está acontecendo", admite.
Agora, o mundo aguarda as respostas contidas nos gravadores de voo. Enquanto isso, o caso de Vishwash Kumar Ramesh permanece como o único vislumbre de luz em meio a uma tragédia que ainda busca explicações sobre como um dos aviões mais modernos do mundo falhou em um dia de céu claro.