A maneira como a humanidade encara a morte é um reflexo direto de seus costumes, crenças e do momento tecnológico vivido. Por séculos, o sepultamento tradicional e a cremação por altas temperaturas foram as únicas escolhas predominantes. No entanto, o cenário atual está mudando, impulsionado por um desejo crescente de minimizar o impacto ambiental deixado até mesmo no momento final da vida.
Nesse contexto, a Escócia prepara-se para adotar uma prática ainda pouco difundida, mas que gera curiosidade e debate: a cremação aquática, tecnicamente chamada de hidrólise alcalina. O método já é realidade em locais como Canadá, África do Sul, Irlanda e diversos estados norte-americanos.
O funcionamento do processo é meticuloso. O corpo é colocado em uma câmara selada, onde é submetido a uma mistura de água aquecida e substâncias alcalinas. Sob pressão e temperatura controladas, o equipamento acelera a decomposição natural dos tecidos.
Segundo Andrew Purves, diretor da casa funerária William Purves, em Edimburgo, a técnica é, na verdade, uma forma de acelerar um ciclo natural. O processo transforma o corpo em seus elementos básicos em um período de aproximadamente três horas.
Ao final do procedimento, os tecidos moles são totalmente dissolvidos. O que resta são apenas as estruturas ósseas e dentárias. Estes vestígios são então processados até se tornarem um pó branco, visualmente muito parecido com as cinzas da cremação comum, podendo ser entregues aos familiares para homenagens póstumas.
O grande apelo da hidrólise alcalina reside na sustentabilidade. Enquanto a cremação tradicional exige fornos que atingem temperaturas próximas aos 980 °C, consumindo uma enorme quantidade de energia, o método aquático opera em temperaturas bem mais baixas.
Quanto aos resíduos líquidos gerados, especialistas ressaltam que se trata de uma solução estéril composta por água e matéria orgânica dissolvida. Em regiões onde a prática já foi legalizada, esse material é encaminhado ao sistema de esgoto, um descarte que, segundo os responsáveis, não oferece riscos à saúde pública quando realizado seguindo as normas sanitárias adequadas.
A expectativa é que a opção esteja disponível para os escoceses em breve, oferecendo uma alternativa moderna e ecologicamente mais consciente para as famílias.