Uma tempestade repentina durante o feriado de 4 de julho transformou o cenário idílico do Rio Guadalupe, no Texas, em um pesadelo. Em um intervalo de apenas 45 minutos, o nível das águas subiu alarmantes 8 metros, impulsionado por um volume de 380 milímetros de chuva que devastou a região. Até o momento, o saldo é trágico: 850 pessoas foram resgatadas, mas 82 vidas foram perdidas e outras 41 seguem desaparecidas.
Entre os que ainda não foram localizados estão dez crianças e uma conselheira do Acampamento Mystic, uma instituição cristã situada na margem do rio. As buscas seguem intensas, contando não apenas com equipes de socorro profissional, mas também com a ajuda desesperada de familiares.
Ty Badon é um desses pais em busca de respostas. Sua filha, Joyce Badon, de 21 anos, desapareceu durante o desastre. Ao lado do filho, Ty viajou até a cidade de Hunt para realizar buscas por conta própria, movido pela angústia de não ter notícias da jovem.
Durante as buscas, enquanto gritavam pelo nome de Joyce, a dupla se deparou com uma cena devastadora. Em um relato emocionante à CNN, Ty contou que encontrou o corpo de uma criança, aparentando ter entre 8 e 10 anos. Inicialmente, ele chegou a pensar que se tratava de um objeto, mas logo percebeu a tragédia: "Meu filho e eu estávamos caminhando e nos deparamos com ele. É algo que não sai da nossa cabeça".
Mesmo diante do trauma, o foco de Ty permanece em localizar Joyce. Ele percorreu a Escola Primária de Ingram, que serve como centro de operações para sobreviventes, na esperança de ouvir os nomes da filha e de suas amigas serem chamados. A descrição de Joyce, feita pelo pai, é de uma "garota linda e maravilhosa".
Joyce e suas amigas — Ella Cahill, Aidan Heartfield e Reese Manchaca — estavam hospedadas em uma casa próxima ao Rio Guadalupe. Segundo informações, a residência foi completamente destruída pela força da água e, assim como as jovens, a estrutura da casa desapareceu.
O xerife do Condado de Kerr, Larry Leitha, afirmou que centenas de socorristas continuam as operações por terra, ar e água. Enquanto isso, cresce a indignação pública sobre a falha nos sistemas de alerta. Especialistas e autoridades locais apontam que cortes orçamentários no Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) podem ter comprometido a eficácia da resposta.
Relatos indicam que cargos estratégicos, incluindo o de meteorologista coordenador de alertas nas unidades de San Angelo e San Antonio, permaneciam vagos na época da tempestade. Tais lacunas teriam sido agravadas por pacotes de aposentadoria antecipada, prejudicando a capacidade do órgão de antecipar a severidade do evento climático que atingiu o centro do Texas.