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Oceano Atlântico pode ser engolido por ‘Anel de Fogo’

Oceano Atlântico pode ser engolido por ‘Anel de Fogo’

Já imaginou o Oceano Atlântico, que separa continentes como Europa e América, desaparecendo completamente? O que parece roteiro de filme de desastre é, na verdade, uma possibilidade geológica real que tem despertado o interesse da comunidade científica.

Liderados pelo geólogo João Duarte, da Universidade de Lisboa, pesquisadores estão analisando movimentações profundas sob as águas e encontraram fenômenos surpreendentes. O foco da investigação está no Estreito de Gibraltar, ponto de encontro entre a Espanha e o Marrocos. Ali, existe o que os cientistas chamam de zona de subducção, uma área onde as placas tectônicas travam uma disputa silenciosa e constante: a placa africana está deslizando lentamente para baixo da placa euroasiática.

O ponto crítico é que essa "tartaruga" geológica pode ganhar velocidade. Duarte e sua equipe alertam que, se essa zona de subducção se expandir, o Atlântico poderia começar a ser "devorado" pelo manto da Terra. Segundo o pesquisador, existem evidências consistentes de que o oceano, como o conhecemos, iniciou um processo de fechamento, com o fundo oceânico sendo tragado de volta para as camadas internas do planeta.

Oceano Atlântico pode ser engolido por ‘Anel de Fogo’

Utilizando modelos computacionais avançados, os cientistas projetaram o futuro dessa área pelos próximos 20 milhões de anos. A simulação indica que a zona de subducção, que hoje se estende por cerca de 200 quilômetros, poderia crescer para impressionantes 800 quilômetros, avançando em direção ao Atlântico e criando um novo sistema, que os pesquisadores chamam de "Anel de Fogo".

O estudo, publicado na revista Geology, aponta que esse processo é uma forma de a Terra se renovar e evoluir. A "invasão" de uma zona de subducção em um oceano já formado é considerada pelos autores como um mecanismo fundamental na evolução geológica recente do nosso planeta.

A longo prazo, a Terra segue seu próprio ciclo geológico, alheia à escala de tempo humana. Embora o desaparecimento do Oceano Atlântico seja um processo que levará milhões de anos, a ciência confirma que a geografia do nosso mundo está em constante transformação, preparando um cenário completamente novo para o futuro distante do planeta.