A icônica capa do álbum Nevermind, lançada pelo Nirvana em 1991, transcendeu o mundo da música para se tornar um símbolo cultural absoluto. Com mais de 30 milhões de cópias vendidas ao redor do globo, a imagem do bebê nadando em direção a uma nota de dólar em um anzol é reconhecida instantaneamente. No entanto, o que deveria ser apenas um legado artístico transformou-se em uma longa e desgastante batalha nos tribunais.
O protagonista dessa história é Spencer Elden. Ele tinha apenas quatro meses quando seus pais aceitaram o convite de um amigo, o fotógrafo Kirk Weddle, para que o filho participasse de um ensaio. Na época, a família recebeu 200 dólares pela sessão de fotos, sem jamais imaginar a dimensão que aquela imagem tomaria na cultura pop.
Décadas mais tarde, já adulto, Elden iniciou uma disputa judicial contra os integrantes remanescentes do Nirvana, Dave Grohl e Krist Novoselic, além de Courtney Love, viúva de Kurt Cobain, e o fotógrafo. A alegação principal era de que a capa do disco violava leis federais sobre pornografia infantil, classificando a exposição de seus genitais como algo lascivo.
Em defesa de Elden, seus advogados chegaram a declarar que a identidade do rapaz ficou para sempre vinculada a uma exploração sexual comercial sofrida durante sua infância, causando-lhe danos psicológicos duradouros.
Embora o caso tenha tido idas e vindas — chegando a ser rejeitado inicialmente e depois retomado por uma corte de apelações —, o veredito final veio em 30 de setembro. O juiz Fernando M. Olguin encerrou a disputa de forma definitiva, classificando as acusações como completamente infundadas.
Na sentença, o magistrado foi enfático ao afirmar que a fotografia não possui elementos que indiquem conduta sexualmente explícita. Para o juiz, a imagem se assemelha a uma foto familiar comum de uma criança tomando banho, sendo insuficiente para sustentar qualquer denúncia de exploração infantil.
A defesa da banda, representada pelo advogado Bert H. Deixler, celebrou a decisão como um alívio, destacando a importância de encerrar um processo sem mérito que carregava estigmas graves e falsos sobre seus clientes.
Um detalhe que pesou contra Elden foi a questão do prazo legal. O tribunal apontou que ele não conseguiu demonstrar que teve conhecimento da suposta violação durante sua menoridade, nem provou que o dano ocorreu dentro do período de dez anos exigido pela legislação vigente.
A postura de Elden ao longo dos anos também gerou estranheza. Em 2016, para celebrar os 25 anos de Nevermind, ele chegou a recriar a famosa capa — desta vez utilizando um calção de banho. Na época, ele comentou ao The New York Post que, embora achasse "esquisito" ser parte de algo tão grande do qual não possui memórias, ele mesmo sugeriu o ensaio.
Com esta decisão judicial, encerra-se um capítulo contencioso na história de uma das bandas mais influentes da música. A icônica foto do bebê, agora livre das sombras das alegações, permanece como um marco inquestionável da arte e da cultura da década de 90.