A trajetória de Kaylee Muthart, uma jovem da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, é um relato impactante sobre superação e a busca pela paz em circunstâncias inimagináveis. Hoje, aos 26 anos, Kaylee vive uma nova realidade, mais de seis anos após um episódio traumático que resultou na perda permanente de sua visão.
A vida de Kaylee mudou drasticamente em 2018. Antes disso, ela era uma estudante dedicada, cujo futuro parecia promissor até ser diagnosticada com transtorno bipolar. O quadro clínico, somado à experimentação de substâncias como maconha e ecstasy, criou um cenário de vulnerabilidade. Aos 19 anos, ao consumir maconha sem saber que estava contaminada com metanfetamina, ela iniciou uma perigosa espiral de dependência química que evoluiu rapidamente para o uso intravenoso.
Em relatos à revista Cosmopolitan, Kaylee explicou como a dependência se entrelaçou perigosamente com sua fé. Ela acreditava, sob o efeito de substâncias, que a metanfetamina intensificava sua conexão espiritual. Essa distorção da realidade atingiu o auge em fevereiro de 2018, após uma tentativa frustrada de buscar reabilitação.
Sob o efeito de metanfetamina contaminada, Kaylee teve um surto psicótico severo nas proximidades de uma igreja. Em meio ao delírio, ela acreditou que precisava sacrificar a própria visão para salvar o mundo. O ato foi irreversível e brutal: ela removeu os próprios olhos.
O resgate foi feito pelo pastor da igreja local, que a encontrou em choque. Kaylee foi levada às pressas para o Greenville Memorial Hospital, onde médicos realizaram cirurgias para tratar as lesões graves.
Surpreendentemente, seis anos depois, Kaylee afirma estar mais feliz do que no período em que lutava contra a dependência. Ela reconhece os desafios da cegueira e admite que, por vezes, a frustração aparece, especialmente em noites de insônia. Contudo, ela mantém uma perspectiva resiliente: prefere a vida que tem hoje, sóbria, à escravidão imposta pelas drogas.
O trauma serviu como o ponto de virada definitivo para sua recuperação. Desde 2020, utilizando próteses oculares, Kaylee tenta retomar paixões antigas, como tocar violão e piano. Embora a adaptação exija esforço constante, ela mantém um otimismo contagiante, encarando os pequenos acidentes domésticos diários com bom humor e gratidão por ter superado o período mais sombrio de sua vida.