O que deveria ser uma solução para recuperar o sorriso tornou-se um pesadelo de meses para Jackie Lynn, uma britânica de 38 anos. Após sofrer com a fragilidade dentária decorrente de uma menopausa química — consequência de uma cirurgia para remover os ovários devido a um Transtorno Disfórico Pré-Menstrual —, Jackie buscou tratamento na Turquia, atraída pelos preços mais baixos do que os praticados no Reino Unido. O que começou como uma expectativa de gastar poucos milhares de libras culminou em uma dívida de 18 mil libras (cerca de R$ 120 mil), dinheiro que precisou emprestar do pai.
A primeira etapa do tratamento, feita com resina composta para melhorar a estética, custou 3 mil libras. Embora tenha ficado satisfeita inicialmente, a alegria foi breve: a resina começou a rachar e se soltar. Determinada a resolver o problema, ela retornou à Turquia, desta vez para uma clínica diferente, optando por um procedimento que envolveria coroas. O que ela não esperava era acordar da sedação com dores excruciantes.
Segundo Jackie, o plano de colocar coroas individuais foi substituído sem consentimento prévio por uma estrutura complexa de pontes. Ela afirma ter passado por 15 canais, acordando em uma "agonia absoluta". A pressão exercida pela nova estrutura sobre os dentes remanescentes causava uma dor que, segundo ela, percorria todo o corpo. Em apenas uma semana, ela precisou retornar à Turquia, onde foi informada por outro dentista que a solução definitiva seria a extração de todos os dentes para a instalação de implantes.
O impacto psicológico foi devastador. Aos 38 anos, Jackie se viu diante da perda total da dentição natural. Para complicar, o processo de recuperação foi marcado por um abscesso dentário grave. A infecção evoluiu de forma perigosa, espalhando-se pelo rosto, pelos seios da face e atingindo a corrente sanguínea, o que a obrigou a ser internada para um tratamento intravenoso de urgência. Com o rosto inchado e um dos olhos temporariamente comprometidos pela inflamação, ela descreveu o período como um trauma profundo.
Hoje, enquanto aguarda a finalização dos implantes, Jackie vive sob restrições severas. Precisa se alimentar apenas de comidas macias para não pressionar a cicatrização. O trauma, que ela define como transtorno de estresse pós-traumático, custou-lhe meses de convívio com a filha e até o próprio emprego.
Embora Jackie evite culpar as clínicas turcas diretamente, responsabilizando a falta de opções acessíveis de saúde bucal no Reino Unido, seu relato serve como um alerta. O presidente da Associação Odontológica Britânica, Eddie Crouch, reforça que a realidade dos procedimentos no exterior raramente é tão simples quanto parece nas redes sociais. A entidade orienta que pacientes sejam cautelosos, busquem informações detalhadas e desconfiem de abordagens muito agressivas, lembrando que, quando o processo falha, são os dentistas locais que precisam lidar com as consequências e reconstruir o que foi danificado.