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Médicos alertam que a tendência do “vabbing” pode causar candidíase ou infertilidade

Médicos alertam que a tendência do “vabbing” pode causar candidíase ou infertilidade

O TikTok é conhecido por lançar tendências inusitadas, mas poucas geraram tanta polêmica quanto o chamado vabbing. O termo, uma mistura de vagina e dabbing, descreve a prática de mulheres que utilizam o próprio fluido vaginal como se fosse um perfume, acreditando que ele funcionaria como uma arma de sedução poderosa.

A premissa da moda era simples: ao espalhar a secreção natural em pontos estratégicos do corpo, como pulsos e pescoço, a mulher conseguiria atrair pretendentes através de feromônios. Embora o conteúdo tenha viralizado e acumulado milhões de visualizações, com relatos de "sucesso" em encontros, especialistas na área da saúde rapidamente alertaram para os riscos reais e perigosos envolvidos no hábito.

A Dra. Hana Patel, especialista em saúde feminina, ressalta que essa prática coloca em risco o equilíbrio natural da região genital. Segundo ela, ao manipular os fluidos e espalhá-los pelo corpo, existe um grande risco de contaminação cruzada, favorecendo o surgimento de infecções fúngicas ou bacterianas na área vaginal.

A ginecologista Paraskevi Dimitriadi reforça o alerta, destacando que o vabbing pode facilitar o desenvolvimento de quadros como a vaginose bacteriana e a candidíase. Ela ainda aponta uma ironia: caso a mulher já sofra de alguma dessas condições, a secreção pode apresentar um odor forte e desagradável, o que teria exatamente o efeito oposto ao desejado na hora da conquista. Além disso, o simples contato das mãos, que carregam diversas bactérias, com a região íntima durante o processo, aumenta significativamente a chance de infecções.

Em cenários mais críticos, os médicos advertem que o comportamento pode evoluir para a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e, em casos raros, causar danos que levam à infertilidade.

Para completar, a ciência derrubou o principal pilar dessa tendência. Os especialistas explicam que os seres humanos liberam feromônios através de glândulas espalhadas por todo o corpo, como no suor, não havendo qualquer necessidade ou vantagem biológica em aplicar secreções vaginais sobre a pele. A Dra. Uma Vaidyanathan, ginecologista do Hospital Fortis, esclarece que o conceito de feromônios como atrativos sexuais é muito mais forte no reino animal do que nos humanos, e que o vabbing não possui base científica alguma.

No fim das contas, o vabbing não passa de um mito viral sem comprovação. Diante de modismos que prometem fórmulas mágicas para a vida amorosa ou pessoal, a recomendação dos profissionais é clara: priorize sempre a segurança e a ciência. O que parece ser uma solução rápida pode acabar custando caro à sua saúde.