Chloe era uma jovem mãe que vivia em um conjunto habitacional recém-construído em Gravesend, no condado de Kent. Seu apartamento ficava no último andar, posicionado logo abaixo de um sótão que se estendia por toda a cobertura do bloco de edifícios. O que começou como uma rotina tranquila em sua nova casa logo se transformou em uma experiência que desafiou sua sanidade e a percepção das pessoas ao seu redor por um longo período.
Tudo começou quando ela notou que a escotilha de acesso ao sótão, localizada no teto de seu corredor, aparecia aberta sem explicação. No início, Chloe achou a situação estranha, mas tentou não dar importância ao fato.
Com o passar do tempo, a frequência das ocorrências aumentou e ela passou a ouvir sons de passos vindos da parte de cima. Ao questionar os vizinhos e amigos sobre os barulhos, a resposta era sempre negativa. Um amigo que morava no andar de baixo tentava tranquilizá-la dizendo que não havia ninguém ali, mas Chloe permanecia convicta de que algo estava errado.
O diagnóstico e o isolamento
O ceticismo das pessoas próximas começou a afetar a saúde mental de Chloe. Como ela já tinha um histórico de ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático, familiares e amigos acreditaram que ela estava sofrendo alucinações ou passando por um episódio psicótico. Ela buscou ajuda médica e relatou suas suspeitas. “Quando vi o médico, eu disse a eles: ‘acho que tem alguém no sótão e que há pessoas entrando e saindo da minha casa. Eu realmente acreditava nisso'”, relatou Chloe.
Por causa desses relatos, os médicos prescreveram quetiapina, um antipsicótico de segunda geração utilizado para tratar condições graves como esquizofrenia e transtorno bipolar. Chloe descreveu o período em que tomou a medicação como uma fase em que se sentia um “zumbi” e “não uma pessoa real”.
Mesmo sob o efeito do remédio, os sinais de invasão persistiam. Ela chegou a conversar com o vizinho da porta ao lado, cujo apartamento também ficava abaixo do sótão, mas ele negou categoricamente ouvir qualquer barulho. “Ele disse que não ouvia nada e disse que não era verdade”, relembrou ela.
A descoberta da verdade
Após cerca de dois meses utilizando a medicação pesada, Chloe estava em casa quando a escotilha do sótão foi aberta escancaradamente diante de seus olhos. Naquele momento, ela viu um homem olhando diretamente para ela de dentro da cavidade do teto.
“Ele estava me encarando e eu corri escada abaixo para a minha amiga gritando por socorro”, contou. Diante da descrença inicial da amiga, Chloe rebateu o argumento da alucinação questionando por que, mesmo medicada com antipsicóticos, ela continuava vendo a mesma figura.
A polícia foi acionada e realizou uma varredura no espaço superior do edifício. Os agentes encontraram um homem vivendo no local, junto com bolsas e mochilas armazenadas na estrutura. A investigação revelou que o vizinho de Chloe, que anteriormente negou ouvir qualquer som, estava ajudando o homem. O invasor era um amigo dele que estava desabrigado e recebia auxílio para se esconder no sótão compartilhado.
A empresa responsável pelo condomínio, Moat Housing, confirmou que o incidente ocorreu há nove anos e que, na época, colaborou com as autoridades para realizar uma prisão. O acesso ao sótão foi reforçado e lacrado logo após o ocorrido para evitar novos casos de invasão. Chloe, que hoje compartilha sua história em redes sociais, afirmou que na hora da prisão sentiu um misto de alívio e satisfação por provar que não estava imaginando os eventos.

