O horário de verão, que deixou de fazer parte do calendário brasileiro em 2019, está novamente no centro das discussões. O Ministério de Minas e Energia (MME) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) voltaram a debater a medida como uma estratégia necessária para reduzir a sobrecarga no fornecimento de luz durante os períodos de pico.
O Plano de Operação Energética (PEN 2025) aponta um alerta para o futuro próximo: entre 2025 e 2029, o país poderá enfrentar dificuldades para suprir a demanda. O momento mais crítico acontece diariamente entre as 18h e as 21h, justamente quando as pessoas chegam em casa e o consumo dispara.
Caso nenhuma medida seja adotada, o governo poderá ser obrigado a acionar usinas térmicas. O problema é que essas usinas são mais caras e possuem um impacto ambiental superior. Por outro lado, o retorno do horário de verão permitiria aliviar a pressão sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) em cerca de 2 gigawatts. Além disso, a mudança facilitaria a integração de fontes renováveis, como a energia solar e eólica, que precisam ser melhor aproveitadas.
Embora o ministro Alexandre Silveira tenha mencionado anteriormente que uma definição ocorreria entre agosto e setembro, até o momento, o martelo não foi batido. A decisão final está nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso o governo opte pela retomada, a expectativa é que a mudança ocorra entre outubro e fevereiro.
Vale lembrar que, em 2019, a suspensão ocorreu sob o argumento de que a economia de energia havia se tornado insignificante diante das mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros. Hoje, embora o Ministério de Minas e Energia garanta que o nível dos reservatórios está em uma situação confortável, o monitoramento constante do setor elétrico não descarta a volta do ajuste nos relógios.
Enquanto o Executivo avalia a parte técnica, o Legislativo caminha em direção oposta. A Comissão de Saúde da Câmara aprovou um projeto de lei que busca proibir permanentemente o horário de verão. Os argumentos são voltados para o bem-estar, citando que a alteração no fuso horário pode causar distúrbios de sono, fadiga e até problemas cardiovasculares, além de preocupações com a segurança pública em horários de menor luminosidade.
Atualmente, essa proposta tramita na Comissão de Minas e Energia. Enquanto técnicos e parlamentares travam esse duelo de argumentos, o brasileiro aguarda para saber se, em breve, precisará ajustar seus relógios mais uma vez.