A ativista sueca Greta Thunberg foi deportada de Israel após um incidente tenso em alto-mar envolvendo uma missão de ajuda humanitária destinada a Gaza. O episódio, ocorrido no início desta semana, coloca em lados opostos a narrativa dos ativistas e a versão das autoridades israelenses.
Thunberg participava da missão a bordo do navio Madleen, uma iniciativa organizada pela Coalizão da Flotilha da Liberdade (FFC). O grupo tinha como objetivo entregar suprimentos essenciais à população de Gaza. De acordo com a FFC, o navio foi interceptado por forças navais israelenses na madrugada de segunda-feira, enquanto navegava em águas internacionais, a cerca de 200 quilômetros da costa palestina.
Em um vídeo divulgado pouco antes da abordagem, a ativista de 22 anos denunciou que ela e seus colegas estavam sendo "sequestrados" pelas autoridades israelenses. Em contrapartida, o Ministério das Relações Exteriores de Israel rotulou a ação como uma "provocação midiática", afirmando que o único intuito da viagem seria atrair publicidade.
Após ser escoltada pela marinha até o porto de Ashdod, a situação de Greta se resolveu com sua deportação para a Suécia, via França. A organização de defesa jurídica Adalah, que prestou assistência aos ativistas, confirmou que Thunberg e outros três membros do grupo aceitaram o procedimento de expulsão.
No entanto, o destino do restante dos voluntários foi diferente. Aqueles que se recusaram a aceitar a deportação foram mantidos sob custódia, aguardando um julgamento que poderia mantê-los detidos por até 96 horas. Entre os envolvidos estava Rima Hassan, parlamentar europeia francesa, cuja entrada em Israel já havia sido restringida anteriormente devido a seu posicionamento político.
Enquanto o governo francês acompanhava a situação de seus cidadãos por meio de visitas consulares, a Coalizão da Flotilha da Liberdade reiterou que a abordagem foi ilegal. A organização sustenta que Israel não teria autoridade jurídica para interceptar um navio em águas internacionais que seguia, segundo eles, para o território da Palestina.
O caso reacende as discussões sobre o bloqueio marítimo a Gaza e as contínuas tensões diplomáticas e humanitárias na região. Enquanto os deportados seguem caminho de volta para casa, a FFC continua a exigir a liberação dos voluntários ainda detidos e a entrega da ajuda humanitária retida pelas autoridades israelenses.